Publicado 03/06/2026 11:09

O comissário da Defesa alerta que a superioridade produtiva da Rússia representa "uma ameaça" para a UE

O comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius
LUKASZ KOBUS

BRUXELAS 3 jun. (EUROPA PRESS) -

O comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, alertou que a superioridade produtiva da Rússia em armamento representa “uma ameaça real” para a União Europeia e voltou a alertar que o aumento dos gastos com defesa dos Estados-membros não está se traduzindo em um crescimento proporcional da produção.

Durante um colóquio no Fórum Europeu da Indústria, realizado nesta quarta-feira em Bruxelas, Kubilius quantificou a diferença entre os Vinte e Sete e Moscou: A Rússia produziu cerca de 1.200 mísseis de cruzeiro no ano passado, contra os 250 fabricados por toda a UE, uma diferença que ele atribuiu aos “problemas estruturais” de uma indústria de defesa europeia fragmentada e sem mercado único.

“A diferença nas capacidades de produção russas em relação às nossas é bastante ameaçadora”, destacou o comissário, que sinalizou que o caminho é traçado pela Ucrânia, que começou no ano passado a produzir seus próprios mísseis de cruzeiro, denominados Flamingo, e que está a caminho de produzir este ano cerca de 700 unidades, quase três vezes mais do que todo o bloco comunitário.

Nesse sentido, o comissário lituano lamentou que o aumento orçamentário das capitais europeias não esteja alcançando os resultados desejados a curto prazo na produção, e também alertou para os riscos de uma injeção maciça de capital sem uma reforma estrutural prévia, como maior inflação e tempos de espera, o que poderia se tornar “um problema político”.

Kubilius apontou a fragmentação do mercado de defesa europeu como um dos principais gargalos. Ele também citou dados de contratação na Alemanha e na França, onde 70% e 80% dos contratos de armamento, respectivamente, são adjudicados diretamente à indústria nacional, o que, em sua opinião, impede o desenvolvimento de pequenas empresas e startups do setor e perpetua a influência dos grandes contratantes sobre as próprias doutrinas de defesa.

Para reverter essa situação, ele lembrou a publicação, no final do mês, de uma proposta para criar um mercado único de defesa e defendeu o equilíbrio entre a abordagem nacional e uma maior coordenação europeia, incluindo a criação de um Conselho Europeu de Segurança que permita superar o problema da unanimidade na tomada de decisões.

Por fim, instou os governos europeus a transformar sua indústria e também sua própria demanda, apostando em sistemas mais ágeis e acessíveis em face da tendência atual de adquirir armamento de alta tecnologia, caro e difícil de escalar.

“Não estamos transformando nossa demanda”, alertou, citando como exemplo o modelo ucraniano, onde a aposta em tecnologias inovadoras e produção pragmática, como o investimento em drones, mudou “completamente” a capacidade militar do país.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado