BRUXELAS 3 jun. (EUROPA PRESS) -
O comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, alertou que a superioridade produtiva da Rússia em armamento representa “uma ameaça real” para a União Europeia e voltou a alertar que o aumento dos gastos com defesa dos Estados-membros não está se traduzindo em um crescimento proporcional da produção.
Durante um colóquio no Fórum Europeu da Indústria, realizado nesta quarta-feira em Bruxelas, Kubilius quantificou a diferença entre os Vinte e Sete e Moscou: A Rússia produziu cerca de 1.200 mísseis de cruzeiro no ano passado, contra os 250 fabricados por toda a UE, uma diferença que ele atribuiu aos “problemas estruturais” de uma indústria de defesa europeia fragmentada e sem mercado único.
“A diferença nas capacidades de produção russas em relação às nossas é bastante ameaçadora”, destacou o comissário, que sinalizou que o caminho é traçado pela Ucrânia, que começou no ano passado a produzir seus próprios mísseis de cruzeiro, denominados Flamingo, e que está a caminho de produzir este ano cerca de 700 unidades, quase três vezes mais do que todo o bloco comunitário.
Nesse sentido, o comissário lituano lamentou que o aumento orçamentário das capitais europeias não esteja alcançando os resultados desejados a curto prazo na produção, e também alertou para os riscos de uma injeção maciça de capital sem uma reforma estrutural prévia, como maior inflação e tempos de espera, o que poderia se tornar “um problema político”.
Kubilius apontou a fragmentação do mercado de defesa europeu como um dos principais gargalos. Ele também citou dados de contratação na Alemanha e na França, onde 70% e 80% dos contratos de armamento, respectivamente, são adjudicados diretamente à indústria nacional, o que, em sua opinião, impede o desenvolvimento de pequenas empresas e startups do setor e perpetua a influência dos grandes contratantes sobre as próprias doutrinas de defesa.
Para reverter essa situação, ele lembrou a publicação, no final do mês, de uma proposta para criar um mercado único de defesa e defendeu o equilíbrio entre a abordagem nacional e uma maior coordenação europeia, incluindo a criação de um Conselho Europeu de Segurança que permita superar o problema da unanimidade na tomada de decisões.
Por fim, instou os governos europeus a transformar sua indústria e também sua própria demanda, apostando em sistemas mais ágeis e acessíveis em face da tendência atual de adquirir armamento de alta tecnologia, caro e difícil de escalar.
“Não estamos transformando nossa demanda”, alertou, citando como exemplo o modelo ucraniano, onde a aposta em tecnologias inovadoras e produção pragmática, como o investimento em drones, mudou “completamente” a capacidade militar do país.
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