Publicado 25/02/2026 12:35

A comissária enviada à Junta de Paz justifica sua presença como uma "cortesia internacional".

A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica (ARQUIVO)
MELANIE WENGER

Dubravka Suica revela que Von der Leyen lhe pediu para comparecer em seu lugar e admite que foi na qualidade de “observadora” BRUXELAS 25 fev. (EUROPA PRESS) -

A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, justificou a sua participação na reunião da Junta de Paz promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada em Washington, alegando que o fez por “cortesia internacional” e porque lhe foi pedido pela chefe do Executivo comunitário, Ursula von der Leyen.

Ela explicou isso durante sua comparecimento nesta quarta-feira na Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, na qual os eurodeputados lhe pediram explicações sobre sua participação no fórum, que provocou críticas de vários grupos do Parlamento Europeu e de alguns Estados-membros que consideraram que ela não tinha o mandato dos 27 para participar do evento.

“O convite foi dirigido à presidente Von der Leyen pelo presidente do Conselho de Paz, que é o Sr. Trump. Participei a pedido da presidente, agindo em seu lugar, e está dentro do mandato da Comissão Europeia, como representante externa da União, aceitar convites deste tipo como uma questão de cortesia internacional”, explicou a comissária.

Suica afirmou que a sua participação “foi limitada”, porque apenas esteve presente na parte em que se abordou a situação na Faixa de Gaza, que correspondeu a “dois terços do tempo” total da reunião do Conselho de Paz, e outro terço a “resoluções” e “normas de procedimento” que a Comissão Europeia “não apoia, que fique claro”.

A política croata especificou que sua participação foi de dez a quinze minutos e que foi na qualidade de “observadora”, um papel que até agora a Comissão Europeia havia evitado confirmar, limitando-se a dizer que a União Europeia não é membro do Conselho de Paz e restringindo sua participação no âmbito dos “esforços internacionais destinados a apoiar a reconstrução e a recuperação” após os ataques de Israel em Gaza.

“Não intervim nas deliberações da conferência. Não foi concedido tempo de uso da palavra aos não membros, embora tenha sido concedido para falar com os países parceiros que estavam presentes”, acrescentou a comissária, lembrando que, à margem do encontro, teve a oportunidade de manter reuniões bilaterais com os ministros das Relações Exteriores do Egito, Jordânia, Arábia Saudita e Israel.

“FORAM OUTROS 14 ESTADOS-MEMBROS DA UE” Suica minimizou a importância de sua participação no Conselho de Paz, indicando que, assim como ela, estavam presentes representantes de outros 14 Estados-membros da União Europeia, embora tenha insistido que não compareceu em representação dos 27, mas apenas na qualidade de comissária.

Da mesma forma, argumentou que, na segunda-feira, participou no Conselho de Relações Exteriores (CAE) da UE num almoço informal com o Alto Representante para Gaza do Conselho de Paz, o búlgaro Nickolai Mladenov, que foi convidado pela Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, há um mês.

“Nós o convidamos há um mês para vir a Bruxelas e ele veio na segunda-feira. Discutimos com ele durante quase duas horas no Conselho de Relações Exteriores, por isso mantivemos a comunicação. Não podemos fechar todos os canais existentes porque, neste momento, esses são os canais existentes. Essa é a razão”, acrescentou. A comissária afirmou ainda que a Comissão Europeia tem o seu próprio Conselho de Paz, que é o grupo internacional de doadores para a Palestina, ao qual se juntaram mais de 60 países e que também poderia servir de apoio político para a futura Autoridade Palestina.

“Gostaríamos, de alguma forma, de poder ampliar o alcance desse grupo de doadores para a Palestina para utilizá-lo como nosso ‘Conselho de Paz’, por assim dizer, e para que também possamos ser importantes, não apenas como o principal doador, mas também como um parceiro político relevante”, argumentou. IRRITAÇÃO DOS ESTADOS-MEMBROS E DO PARLAMENTO EUROPEU

As explicações da comissária ocorrem depois que sua participação na semana passada na Junta de Paz gerou críticas entre alguns Estados-membros e grupos do Parlamento Europeu, uma vez que ela o fez sem o mandato dos 27, já que a política externa da UE é definida por unanimidade entre os Estados.

A França foi o país que mais manifestou a sua indignação com Bruxelas, uma vez que o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, criticou publicamente a Comissão Europeia, argumentando que Suica «nunca deveria ter participado» na Junta da Paz porque «não tinha recebido um mandato do Conselho para o fazer».

“Para além das questões políticas legítimas levantadas pela Junta da Paz, a Comissão deve respeitar escrupulosamente o direito europeu e o equilíbrio institucional em todas as circunstâncias”, afirmou o chefe da diplomacia europeia numa mensagem nas redes sociais.

Também houve uma grande contestação no Parlamento Europeu, levando até mesmo o grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), os liberais do Renew e o grupo dos Verdes a assinarem um comunicado conjunto apontando que foi “um grave erro de julgamento” da Comissão Europeia.

Outro dos grupos do Parlamento Europeu que também criticou a Comissão foi a Esquerda, classificando diretamente como “patético” o ato do Executivo comunitário de “ceder a Trump e aos seus planos de construir propriedades à beira-mar no cemitério de um genocídio”.

A decisão de comparecer, que não foi consultada com os Estados-Membros, segundo fontes diplomáticas, ocorreu depois que tanto o Executivo comunitário quanto os 27 rejeitaram participar da Junta de Paz, alegando “sérias dúvidas” sobre a “compatibilidade” da proposta feita pela administração Trump com a Carta das Nações Unidas, sua governança ou seu âmbito de atuação.

Entre as dúvidas estão algumas relativas ao formato, uma vez que há mais países do que a União Europeia esperava, e também pairam dúvidas jurídicas sobre a compatibilidade com a ONU e com o Direito da União Europeia, uma vez que Trump propôs que o futuro do organismo passe a ser permanente e a mediar outros conflitos, papel que já é desempenhado pelas Nações Unidas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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