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O vencedor das primárias do LDP não assumirá automaticamente o cargo e terá que ser endossado pelo Parlamento.
Entre os favoritos está Sanae Takaichi, que se tornaria a primeira mulher chefe de governo da história.
MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -
A corrida para eleger o sucessor de Shigeru Ishiba como primeiro-ministro do Japão começou na segunda-feira, depois que o deputado e ex-ministro das Relações Exteriores Toshimitsu Motegi apresentou sua candidatura, apenas um dia depois que Ishiba renunciou diante das crescentes críticas e divisões dentro de seu partido.
"Decidi me candidatar à liderança do Partido Liberal Democrático (LDP)", disse Motegi em uma coletiva de imprensa, admitindo que "será difícil tirar o partido da adversidade em que está mergulhado". "Com minha experiência, tanto dentro do partido quanto em governos anteriores, posso servir meu país com tudo o que tenho", disse ele.
Motegi agora encabeça a lista de candidatos confirmados para suceder Ishiba como chefe de governo, embora o vencedor das primárias não se torne automaticamente primeiro-ministro devido à perda de apoio parlamentar dos Liberais Democratas.
É por isso que, após o término da votação interna, o candidato que ficar em primeiro lugar terá que ser endossado pela Dieta, o parlamento japonês, o que abre a porta para que a oposição também apresente seu próprio candidato - claramente uma situação improvável, mas não impossível.
Nesse cenário, é provável que o ex-primeiro-ministro Yoshihiko Noda (do Partido Democrático Constitucional do Japão, da oposição) e Yuichiro Tamaki (do Partido Democrático Popular) tenham que entrar na briga.
POSSÍVEIS CANDIDATOS
As pesquisas, no entanto, sugerem a nomeação da deputada e ex-ministra da economia Sanae Takaichi, o que significaria colocar, pela primeira vez, uma mulher à frente do executivo daquela que já é a quarta maior economia do mundo.
A veterana política de 64 anos, que perdeu as primárias do ano passado para Ishiba, é conhecida por sua postura conservadora e está comprometida com a reforma da Constituição para oferecer mais proteção à família imperial e dar continuidade ao legado do falecido ex-primeiro-ministro Shinzo Abe.
A ela se juntam o atual ministro da agricultura e o ex-ministro do meio ambiente Shinjiro Koizumi, herdeiro de uma dinastia de políticos que desempenharam papéis importantes no governo no último século. O filho do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi é, no momento, o mais jovem dos virtuais candidatos à sucessão de Ishiba, com 44 anos.
Koizumi colocou na mesa a possibilidade de recuperar a confiança perdida nas eleições locais de julho e espera restaurar a popularidade que o partido desfrutava antes do surgimento dos últimos escândalos.
Em terceiro lugar está Yoshimasa Hayashi, de 64 anos, ex-porta-voz dos governos de Kishida e Ishiba, que tem uma vasta experiência. Ele já ocupou importantes pastas, como defesa, relações exteriores e agricultura. Hayashi, que também foi ministro das Relações Exteriores de 2021 a 2023, expressou sua intenção de "manter conversas com seus apoiadores", de acordo com a agência de notícias japonesa Kiodo.
A SAÍDA DE ISHIBA
A decisão de se afastar veio no domingo, à medida que aumentava a pressão dos membros do próprio LDP após uma derrota esmagadora nas eleições de julho passado para o Senado. A renúncia, que Ishiba disse ter sido anunciada em um momento "mais ideal" para o país, ocorreu apenas um dia antes de uma reunião do partido na segunda-feira, na qual os membros deveriam discutir a ideia de antecipar as primárias.
Ishiba, que garantiu que "cumprirá seu dever até que o partido escolha um novo líder", até recentemente havia demonstrado sua determinação em permanecer em seu cargo, de olho nos desafios econômicos enfrentados por Tóquio e apesar da perda de apoio.
O primeiro-ministro que está deixando o cargo disse, há apenas uma semana, que outro motivo para permanecer à frente do governo era "evitar um vácuo político" e uma "piora" da situação, dada a ausência de um favorito claro nas pesquisas para sua sucessão.
No entanto, os pedidos de renúncia têm aumentado e, de acordo com fontes do partido, alguns políticos seniores pediram ao primeiro-ministro que renunciasse antes que as divisões se aprofundassem e custassem mais caro ao partido em eleições futuras.
As regras internas do LDP determinam que, se a maioria dos deputados e das filiais das prefeituras for favorável à antecipação das primárias, o partido deverá realizá-las antes do previsto.
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