EJÉRCITO DEL AIRE - Arquivo
MADRID 31 jan. (EUROPA PRESS) - O espaço ultraterrestre consolidou-se como um domínio estratégico e operacional que influencia diretamente a segurança nacional e as capacidades combinadas dos Estados e suas alianças. Em Espanha, o Comando Espacial (MESPA) da Força Aérea e Espacial tem o mandato de coordenar as capacidades operacionais espaciais, orientadas para a vigilância, o controle e a operação no, a partir do ou para o espaço. “O desafio de vigiar 210 trilhões de quilômetros cúbicos”, resume o chefe do Comando, o general de brigada Isaac Crespo.
A Espanha considera espaço tudo o que está a mais de cem quilômetros e aplica o conceito de soberania abaixo disso. Para se ter uma ideia: as operações militares comuns acontecem abaixo de 20 quilômetros. A definição do que é extraterrestre não é regulamentada e cada país é livre para estabelecer seus critérios. O general Crespo especifica que a área de interesse do MESPA situa-se entre 2.000 e 35.786 quilômetros da Terra, 210 bilhões de quilômetros cúbicos que não são desertos.
“A realidade é que o espaço agora está congestionado, disputado e concorrido”, afirma o chefe da MESPA, que enfatiza a importância que ele tem para nossa vida cotidiana nas áreas de comunicações, transporte ou economia. “Se perdêssemos todos os serviços que vêm do espaço, voltaríamos aos anos 90”, adverte. Atualmente, existem 32.700 objetos em órbita, incluindo lixo espacial. COMO DOMÍNIO OPERACIONAL
O general Crespo coloca o foco nas operações militares. O espaço é vital para tarefas de navegação e manobra, comando e controle, sensores, redes táticas ou operações de veículos não tripulados. Além disso, ele menciona que as operações multidomínio não seriam possíveis sem a integração espacial.
Nessa linha, o chefe da MESPA lembra que o espaço “está militarizado” desde o satélite soviético Sputnik, lançado em 1957 no Cosmódromo de Baikonur (Cazaquistão), mas pede para distinguir entre os conceitos “militarizado” e “armado”. O espaço não está armado, precisa, e expressa seu desejo de que a situação geopolítica não se agrave porque é escassamente “regulamentada”. O último tratado sobre o espaço, o Tratado da Lua, data de 1984 e foi ratificado por muito poucos países, entre os quais não figuram as principais potências espaciais: Estados Unidos, China e Rússia. A Espanha também não figura como signatária do acordo. Neste contexto, começou “uma nova corrida espacial” que “gerou uma zona cinzenta” precisamente pela pouca regulamentação do espaço para a realidade atual, indica o general Crespo, que alerta que os Estados “estão explorando-a em tempos de paz”. O chefe da MESPA destaca a Rússia e exemplifica: “satélites russos que estão na órbita geoestacionária se aproximam de satélites de países aliados da Ucrânia e os escutam, coletando informações que os russos podem usar”.
Além disso, ele chama a atenção para a “mudança de paradigma” que fez com que bilionários como Elon Musk ou Jeff Bezos voltassem sua atenção para o espaço. “A irrupção da exploração comercial do espaço mudou o paradigma e o democratizou, como o Starlink”, explica. Isso, por sua vez, impulsionou o investimento público previsto em defesa para questões espaciais, que está aumentando. RELATÓRIOS SOBRE METEOROLOGIA ESPACIAL OU REENTRADAS DE OBJETOS A OTAN estabeleceu o espaço como um novo domínio operacional em 2019. Em relação à criação de comandos espaciais, os Estados Unidos e a França o fizeram em 2019; a Itália e o Reino Unido em 2021 e a Espanha, que tem mais de dez satélites em órbita, criou o MESPA em 2013. “Mas começamos a olhar para o espaço em 2019, a Estratégia de Segurança Nacional de 2021 já estabelece o espaço como algo a que se deve prestar atenção”, esclarece o chefe da MESPA.
A MESPA, cuja capacidade operacional inicial foi declarada plena em dezembro de 2025, assume o comando orgânico do Centro de Operações de Vigilância Espacial (COVE), encarregado da vigilância de objetos, ameaças e atividades no ambiente espacial de interesse nacional, com sensores, redes de comunicação e catalogação de objetos em órbita da Terra, e do Centro de Sistemas Aeroespaciais de Observação (CESAEROB), voltado para a exploração de sistemas espaciais que fornecem dados de observação em tempo real e derivados de sensores orbitais. Alguns exemplos. O MESPA é responsável pela elaboração de relatórios sobre meteorologia espacial — três previsões por semana, pois fenômenos como geotempestades podem afetar vários serviços de geração de eletricidade, por exemplo — e é responsável pelas reentradas de objetos espaciais não controlados. Refere-se a objetos como satélites, não a meteoritos, e gerencia cerca de onze reentradas por mês classificadas como de baixo risco — menos de 5.000 quilos —, risco médio — de 5.000 a 8.000 quilos — e risco alto — mais de 8.000 —.
Em relação às capacidades, o Comando Espacial destaca que uma parte importante do desenvolvimento foi a implantação de sistemas de conhecimento do domínio espacial, bem como a modernização e integração de ferramentas para a vigilância do espaço. Entre elas, destaca-se o chamado Sistema de Conhecimento e Controle da Situação Espacial (CCSE), recebido pela Força Aérea e Espacial em outubro de 2025.
Trata-se de um sistema avançado destinado a reforçar a vigilância e proteger ativos estratégicos com capacidades de cálculo orbital, previsão de reentradas, planejamento de observação e análise de sinais emitidos por constelações de satélites, entre outras.
Tudo isso com uma equipe reduzida de militares e civis, embora tenha experimentado um crescimento significativo nos últimos anos: de apenas doze militares e dois civis nos primeiros meses, para 141 e 33, respectivamente, atualmente. Menos pessoal implica capacidade para gerir menos informação, mas o general Crespo precisa que o MESPA ainda está “em fase de planeamento”. Para 2026 e 2027, a ideia é crescer 30 ou 40%. Isso implica a criação de novas unidades para acomodar todas as capacidades.
De olho no futuro, o general Crespo destaca a intenção da MESPA de colocar em funcionamento este ano um núcleo de operações espaciais do primeiro Centro de Operações Espaciais, que ainda não está operacional, para testar processos de comando e controle, criar uma rede de sete telescópios ópticos e avançar na proposta de uma rede de satélites que atuem como uma espécie de polícia espacial.
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