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MADRID 21 jun. (EUROPA PRESS) -
A Ouvidora da Colômbia, Iris Martín, informou neste sábado que o Sistema de Alertas Antecipados registrou até 40 ameaças perpetradas por dissidentes das FARC às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
O país chega neste domingo às eleições mais polarizadas de sua história recente, sob a sombra da coação em vários territórios, onde as autoridades denunciaram “pressões e proselitismo armado” por parte de grupos terroristas.
Martín esclareceu, em declarações à ‘RCN Noticias’, que o fenômeno “não é generalizado”, embora tenha alertado que exerce uma “forte pressão” sobre o eleitorado.
“Isso tem sido objeto de monitoramento pelo Sistema de Alertas Precoces (...) Fizemos um apelo à Frente 33 e ao ELN para que cessem essa guerra que está causando muito sofrimento (...) o uso de drones, nas minas, os explosivos, os combates, o deslocamento permanente e o assassinato de líderes sociais têm colocado o Catatumbo em crise”, esclareceu a autoridade.
UM PLANO DE RECOMPENSAS E DESLOGEAMENTO MILITAR PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS
Para enfrentar essas ameaças, o governo colombiano anunciou um esquema de incentivos econômicos voltado para prevenir irregularidades e atentados durante o dia da votação.
O Executivo oferecerá até 50 milhões de pesos (cerca de 12.000 euros) por informações que permitam a captura dos responsáveis por crimes eleitorais, até 200 milhões (cerca de 48.000 euros) por dados que ajudem a impedir possíveis ações terroristas e 1.000 milhões (cerca de 250.000 euros) por informações que garantam a proteção e a segurança dos candidatos à presidência.
Por sua vez, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou à emissora “Caracol Radio” que os principais riscos detectados apontam para a “suborno de eleitores e tentativas de alterar o andamento da votação”.
Além disso, ele confirmou o mobilização extraordinária de 408.000 membros das forças de segurança em todo o território nacional.
O PROCURADOR-GERAL PEDE CALMA ANTES DAS ELEIÇÕES
O procurador-geral da Colômbia, Gregorio Eljach, pediu tranquilidade poucas horas antes do início do segundo turno eleitoral que elegerá o novo presidente do país.
Como chefe do Ministério Público, Eljach afirmou que sua estratégia de “Paz Eleitoral” serviu para garantir um clima de confiança entre a população.
“Hoje me dirijo a vocês para dizer que a Paz Eleitoral vem alcançando seus objetivos. Há 357 dias, firmamos uma aliança com a Controladoria e a Secretaria Eleitoral, bem como com os setores mais importantes da sociedade, o que restaurou a confiança dos colombianos em sua democracia”, argumentou Eljach em uma coletiva de imprensa.
Por sua vez, Eljach procurou minimizar as preocupações sobre os riscos dessas eleições e destacou que “podemos dizer a toda a Colômbia e à comunidade internacional que estão reunidas as condições para que vivamos um dia eleitoral democrático, seguro, transparente, exemplar e em completa paz”.
POLÊMICA SOBRE A VIOLAÇÃO DA LEI ELEITORAL POR CLAUDIA LÓPEZ
No âmbito político, a ex-candidata à presidência Claudia López gerou polêmica neste sábado ao publicar uma pesquisa de intenção de voto para apoiar o candidato do partido no poder, Iván Cepeda, violando assim a lei eleitoral.
A ex-prefeita de Bogotá divulgou em suas redes sociais duas imagens de uma pesquisa de intenção de voto referentes aos dias 5 e 20 de junho, com o objetivo de mobilizar votos para Cepeda em sua disputa contra o candidato de extrema direita, Abelardo de la Espriella.
“No acompanhamento da Atlas Intel da campanha de Abelardo de la Espriella, em 5 de junho ele superava Iván por 16 pontos. Hoje, 20 de junho, a vantagem é de apenas 5 pontos. Isso significa que a disputa está empatada!”, publicou López em suas redes sociais.
No entanto, de acordo com a nova Lei das Pesquisas, a divulgação de qualquer pesquisa está estritamente proibida desde o último domingo, 14 de junho, oito dias antes do dia da votação.
O PAÍS CHEGA NESTE DOMINGO AO SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES MAIS POLARIZADAS DE SUA HISTÓRIA
A Colômbia chega neste domingo à fase decisiva de suas eleições presidenciais, após uma campanha marcada pela vitória no primeiro turno do candidato Abelardo de la Espriella sobre o candidato do partido no poder, Iván Cepeda, e por diversas polêmicas, como a interferência dos Estados Unidos, o uso político da camisa da seleção de futebol ou o protagonismo exagerado do presidente Gustavo Petro.
Todas as pesquisas apontam como vencedora a chapa presidencial do movimento Defensores da Pátria, liderada por De la Espriella, o autoproclamado “outsider” da política colombiana, a quem, durante a campanha, voltaram a lembrar de suas supostas ligações com grupos paramilitares.
Os 41 milhões de colombianos registrados para votar voltam a decidir entre dois modelos de país diametralmente opostos e em meio a uma polarização mais do que evidente, a julgar pelos resultados do primeiro turno de maio, na qual De la Espriella superou Cepeda por 660 mil votos, com mais de 406 mil cédulas em branco, outras 245 mil nulas e uma abstenção de 17 milhões de pessoas.
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