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MADRID, 21 jun. (EUROPA PRESS) -
A recente prisão de uma dúzia de cidadãos colombianos por seu envolvimento na morte de vários soldados mexicanos em um ataque em Michoacán, ou a condenação na Rússia, há poucos dias, de outro a 28 anos de prisão por lutar ao lado das forças ucranianas em Kursk, evidenciou uma realidade perigosa que emana do país sul-americano, a de ter sido um exportador por várias décadas de mão de obra mercenária para conflitos internacionais.
Embora essa tenha sido uma prática comum na história recente, foi somente após a prisão de cerca de trinta colombianos pelo assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em julho de 2021, que a fábrica de mercenários em que a Colômbia se transformou se tornou uma realidade pública.
Para Jerónimo Ríos Sierra, doutor em Ciência Política pela Universidade Complutense de Madri (UCM) e especialista em conflitos armados, o "acentuado componente de contrainsurgência" do exército após décadas de conflito armado, a "complexidade geográfica" e o amplo investimento e cooperação militar dos EUA explicam essa "grande atração" pelas forças de segurança colombianas.
"O Plano Colômbia, promovido por Álvaro Uribe e fortemente apoiado por George W. Bush, militarizou o país como nunca antes (...) Nos últimos vinte anos, mesmo quando o conflito se transformou e, em muitos casos, diminuiu, a troca de capacidades com os Estados Unidos foi constante", disse ele à Europa Press.
Tudo isso além de salários muito abaixo do que se espera de um membro de uma força de segurança que opera em um contexto de conflito armado interno desde meados do século XX. "Um capitão mal tem um salário de menos de 600 euros", cifras que são multiplicadas "entre três e seis vezes em países como os Emirados Árabes, o Sudão ou até mesmo a Ucrânia", explica Ríos Sierra.
REDES SOCIAIS E FALSAS PROMESSAS NA UCRÂNIA
No entanto, em muitos casos, as condições de trabalho oferecidas não são cumpridas e dezenas de pessoas acabam desertando. Em contraste com outros conflitos, Ríos Sierra revela que foi na Ucrânia que essa falta de compromisso por parte dos contratantes foi mais frequente, às vezes "máfias que operaram 'jogando' para mobilizar mercenários com incentivos perversos e falsas promessas".
"Junto com as mortes, outro grupo importante de mercenários, dadas as condições da guerra e as dificuldades para pagar os salários, optou pela deserção", diz Ríos Sierra, que acrescenta outros fatores, como a falta de conhecimento do idioma e a rejeição que muitas vezes vem das próprias fileiras em que servem, enviando-os para "frentes hostis ou lugares particularmente difíceis".
Na Ucrânia, por exemplo, o governo colombiano estima que, até o final de 2024, meio milhão de mercenários colombianos terão participado do conflito, dos quais "mais da metade" terá morrido em combate. "Como em tudo o que tem a ver com essa guerra, a dança dos números e das possibilidades deve ser tomada como uma mera aproximação", explica o professor da UCM.
Ríos Sierra diz que os meios habituais de recrutamento são os aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, ou as redes sociais, como Facebook, Tik Tok ou Instagram, embora não se possa esquecer o papel desempenhado pelas empresas de segurança em cujas atividades o governo colombiano pretende intervir.
NENHUMA SOLUÇÃO APARENTE
Apesar do fato de o governo de Gustavo Petro ter lançado uma iniciativa para criminalizar o recrutamento de mercenários colombianos, para Ríos Sierra "é difícil legislar para identificar as coordenadas exatas em que um soldado irregular opera".
"O trabalho de assessoria ou consultoria em questões de segurança é um campo de trabalho tão amplo e versátil que é difícil intervir, já que o contrato mercenário, como tal, não existe", explica o especialista.
Ríos Sierra destaca as grandes dificuldades para legislar contra esse fenômeno, mas também a falta de vontade política, como mostra o fato de que a Colômbia, apesar de ter surgido como um grande exportador desse tipo de combatentes, não fez o maior progresso na adesão à convenção internacional de 1989 contra o recrutamento de mercenários até 2022, com a chegada de Petro.
"Apenas 38 países a ratificaram", portanto, fora desses países, qualquer tipo de controle está "completamente fora de cogitação", ressalta. "Talvez as medidas radicais envolvam o enfrentamento de empresas que sabemos que estão interessadas em contratar mercenários, como a USTC - a antiga Blackwater - ou a empresa britânica G4S Security, a maior do mundo, com mais de 600.000 trabalhadores", ressalta.
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