Publicado 17/09/2025 09:39

A Colômbia defende a condenação das FARC pela JEP diante das críticas: "Em Havana, um novo modelo foi acordado".

Archivo - Arquivo - 16 de abril de 2023, San Vicente del Caguan, Caqueta, Colômbia: Bandeira do grupo guerrilheiro colombiano FARC-EP durante o anúncio do Estado-Maior Central das FARC (EMC) de iniciar conversações de paz com o governo colombiano durante
Europa Press/Contacto/Sebastian Marmolejo

MADRID 17 set. (EUROPA PRESS) -

As autoridades colombianas responderam às críticas sobre as sentenças proferidas pela Jurisdição Especial para a Paz (JEP) - o tribunal que surgiu a partir dos acordos de Havana de 2016 - para os últimos membros do alto escalão das FARC desmanteladas, depois que algumas das vítimas denunciaram a impunidade, incluindo uma de suas ex-reféns, Ingrid Betancourt.

Em uma decisão judicial histórica, a SJP condenou o ex-secretário das FARC, incluindo o líder da guerrilha Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", a oito anos de penas alternativas de prisão pelo sequestro de cerca de 21.000 pessoas durante um conflito armado interno de 60 anos.

O ministro da Justiça da Colômbia, Luis Eduardo Montealegre, disse que entendia a inquietação das vítimas, "mas temos que entender que em Havana foi acordado um novo modelo, um modelo de justiça restaurativa que não envolve penas privativas de liberdade", explicou.

Para um dos chefes da delegação do governo nos diálogos de paz, Humberto de la Calle, o fato de os ex-líderes guerrilheiros terem aceitado as sentenças "não tem precedentes no mundo", embora ele também entenda aqueles que consideram que eles ficaram impunes por esses atos.

"Entendo perfeitamente que há pessoas que pensam que há impunidade aqui. Mas o que temos que entender é que precisamos encontrar um equilíbrio entre justiça e paz. Tratava-se de dar um passo para acabar com um confronto", reagiu de la Calle à decisão da JEP em suas redes sociais.

De la Calle explicou que a decisão das FARC de se submeter ao Estado e reconhecer seus crimes e, ao mesmo tempo, trabalhar para reparar as vítimas "precisava de uma compensação". Esse é um processo que deve ser analisado sob o prisma da justiça transicional, não da justiça comum, observou ele.

Uma das vítimas que expressou sua insatisfação foi a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, sequestrada pelas FARC entre 2002 e 2008, para quem os condenados "não tinham o direito de se beneficiar desse tipo de sentença".

"Não houve sequer penas privativas de liberdade. A sentença aplica penas, nem sequer sentenças, e tudo pode ser feito por terceiros contratados por eles, sem nenhuma contrição pelos crimes cometidos", reprovou ela em uma entrevista à Blu Radio.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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