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MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -
Os colombianos têm neste domingo um encontro com as urnas para eleger o sucessor do presidente Gustavo Petro, em uma disputa eleitoral que se limita ao seguidor de seu modelo social, Iván Cepeda, e àqueles que apostam em uma guinada à direita, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, em meio a uma forte polarização e ao fracasso do atual governo em trazer a paz ao país.
São 41,1 milhões os colombianos registrados no cadastro eleitoral, incluindo aqueles que residem no exterior, que já puderam começar a votar ao longo desta semana. Nesta ocasião, os eleitores elegerão exclusivamente o presidente e o vice-presidente, uma vez que as eleições legislativas já foram realizadas em março.
Para evitar um segundo turno, qualquer candidato deve obter mais de 50% dos votos. O único capaz de conseguir isso, segundo algumas pesquisas, é Cepeda, que esteve durante toda a campanha na liderança das pesquisas, o que garante, pelo menos, sua passagem para o segundo turno em 21 de junho.
Cepeda prometeu dar continuidade à agenda progressista do presidente cessante Gustavo Petro, que buscou reforçar a presença do Estado em questões como aposentadorias e saúde, bem como reiniciar qualquer processo de negociação de paz apenas com os grupos armados que deixarem de assassinar líderes sociais.
As pesquisas mais otimistas atribuem a Cepeda até 44% dos votos, enquanto as mais cautelosas o colocam dez pontos abaixo. O candidato do Pacto Histórico, no entanto, corre o risco de ser derrotado em um hipotético segundo turno diante da previsível união das forças conservadoras.
Apesar de ter ampla experiência no Congresso, este filósofo e defensor dos Direitos Humanos reforçou sua carreira política com sua disputa judicial contra o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe por suas supostas ligações com grupos paramilitares e testemunhas falsas, pela qual foi condenado e posteriormente absolvido.
Cepeda participou de vários processos de negociação com grupos armados, entre eles o de 2016 com as extintas FARC, e, como defensor dos direitos humanos, conseguiu o reconhecimento como genocídio do massacre de mais de 5.700 pessoas por sua militância na União Patriótica (UP), da qual seu pai fez parte antes de ser assassinado em 1994 em uma trama entre o Estado e os paramilitares.
CANDIDATOS CONSERVADORES
O melhor colocado para disputar essa liderança de Cepeda nas pesquisas é o autoproclamado “outsider” da política colombiana Abelardo de la Espriella, um empresário e polêmico ultradireitista que, como advogado, chegou a representar figuras controversas como o fraudador condenado David Murcia Guzmán e Alex Saab, considerado o testa-de-ferro do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
“Recuperar a força pela razão ou pela força dentro do marco da lei” é um dos lemas de campanha desse admirador confesso do presidente Donald Trump e de sua política antidrogas. Assim como têm feito outros líderes conservadores da região, ele apostou no modelo de mão dura do salvadorenho Nayib Bukele.
De la Espriella também falou de um plano de choque para resolver a crise humanitária que existe no setor de saúde colombiano e de uma luta implacável contra a corrupção, prometendo devolver aos bolsos dos colombianos os mais de 20 milhões de euros que estima serem desviados a cada ano.
Sob sua candidatura independente Defensores da Pátria, as pesquisas lhe atribuem entre 30% e 37% dos votos, algumas das mais otimistas, embora outras, como as da emissora Caracol ou do jornal 'El Tiempo', mostrem uma diferença de até dez pontos a favor do candidato do partido no poder.
A terceira colocada é a senadora Paloma Valencia, membro de uma dinastia de políticos conservadores como o ex-presidente Guillermo León Valencia. A candidata do Centro Democrático é a escolhida pelo ex-presidente Uribe para estas eleições, nas quais obteria 14% dos votos, insuficiente para um segundo turno.
Assim como De la Espriella, ela propõe aumentar as ofensivas militares contra os grupos armados, inclusive com a colaboração dos Estados Unidos, impor mais medidas punitivas e se mostrou em desacordo com a justiça especial decorrente dos acordos de paz de 2016 e de qualquer solução negociada.
Além disso, defende uma visão conservadora da família, negou que o aborto seja um direito das mulheres e se opôs à adoção por casais do mesmo sexo, algo que reiterou diante de quem será seu companheiro de chapa presidencial, Juan Daniel Oviedo, um candidato abertamente homossexual.
Valencia ainda é lembrada por ter proposto, há alguns anos, dividir o departamento de Cauca em dois: um para os indígenas — a quem acusou de conivência com as FARC —, “para que eles façam suas greves, suas manifestações e suas invasões”, e outro com vocação para o desenvolvimento, que seria destinado ao restante dos habitantes.
DESAFIOS PARA A PRÓXIMA LEGISLATURA
Uma das grandes preocupações do eleitorado são os problemas do sistema público de saúde. À falta de medicamentos e de pessoal somam-se problemas de gestão, de recursos e a chegada de milhares de venezuelanos que chegam às áreas fronteiriças para receber assistência que não podem obter em seu país.
Petro deixará a Casa Nariño com sua reforma da saúde arquivada no Congresso após mais de um ano de debates, com a qual pretendia, por exemplo, reforçar a rede de centros de atenção primária, mas, acima de tudo, que o Estado centralizasse o controle dos recursos, acabando assim com a mediação das empresas privadas, às quais acusa de uso indevido de fundos, sendo este o principal ponto de atrito.
Juntamente com a saúde, a corrupção e a segurança são os outros temas que mais preocupam o eleitorado. A Colômbia continua sendo um dos países mais violentos da região. Segundo dados oficiais, em 2025 a taxa de homicídios foi a mais alta desde 2021, chegando a 14.000. Nos últimos cinco anos, os grupos armados duplicaram o número de seus membros; o caso mais emblemático é o do Clã do Golfo.
Sua ambiciosa política de paz esbarrou na dura realidade de que o narcotráfico, o verdadeiro motor que move esses grupos armados, continua sendo muito mais lucrativo do que as alternativas que o Estado pode oferecer, apesar de ter reduzido o número de pobres, aumentado o salário mínimo e apresentado previsões de crescimento ligeiramente superiores às dos demais países da região.
Apesar de Petro ter conseguido levar adiante sua reforma agrária, formalizando 1,7 milhão de hectares, promovendo a substituição de plantações ilícitas em vez de recorrer à erradicação e realizando algumas das maiores apreensões de cocaína dos últimos anos, as plantações de coca estão em níveis históricos.
Seja quem for o próximo presidente, ele deverá levar suas promessas eleitorais a um Congresso onde o Pacto Histórico, do partido do governo, é a maior força política em ambas as câmaras, seguido pelo Centro Democrático, o que prenuncia uma polarização significativa, na qual outras formações tradicionais, como liberais e conservadores, serão decisivas para formar maiorias e possíveis coalizões de governo.
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