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MADRID 15 jul. (EUROPA PRESS) -
O comandante do Exército da Colômbia, o general William Caicedo, confirmou nesta quarta-feira o resgate das 45 pessoas que haviam sido sequestradas no dia anterior pela guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), no departamento de Chocó, após uma operação na qual dois militares perderam a vida.
As vítimas foram surpreendidas quando um grupo de homens armados obrigou o ônibus em que viajavam a parar. O sequestro ocorreu na região de Toldas, na rodovia que liga os municípios de Quibdó e El Carmen de Atrato.
Embora inicialmente tenham sido informadas 39 pessoas, no total foram 45 as que foram retidas contra sua vontade pelo ELN. Entre as vítimas estavam quatro menores de idade, dois deles com apenas alguns meses, informou o general do Exército em declarações à Blu Radio.
Caicedo denunciou ainda que as comunidades indígenas da região “estão infiltradas pelo ELN”, que se vale delas para tecer suas relações e ampliar sua base social, exercendo forte influência sobre elas, o que dificulta, nesse contexto, o trabalho dos militares.
“Lá, eles protegem a integridade do ELN”, lamentou o general do Exército ao explicar a complexidade da operação. Segundo relatórios da Inteligência, 60% dos membros que compõem as frentes “Manuel Hernández ‘El Boche’” e “Cacique Calarcá” do ELN, que operam na região, pertencem a essas comunidades.
DOIS MILITARES MORTOS DURANTE A OPERAÇÃO DE RESGATE
Caicedo revelou que a morte de dois militares durante a operação ocorreu em consequência da detonação de várias cargas explosivas que a guerrilha havia espalhado pelo terreno, o que constitui uma “violação flagrante do Direito Internacional Humanitário”, alertou.
Trata-se de “meios e métodos de guerra não convencionais”, explicou Caicedo, que denuncia que essa é uma prática habitual desses grupos armados, que recorrem ao uso de explosivos improvisados — proibidos pelas leis internacionais — em vez de empregarem armamento convencional.
O que ocorreu em Chocó se soma a outros ataques recentes do ELN, com os quais o grupo busca pressionar o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, conforme se depreende das declarações do comandante do Exército, que destaca que “historicamente” a guerrilha tem agido dessa maneira.
“O ELN busca se posicionar com força na posse do novo governo, e sempre fez isso historicamente. Quando há uma mudança de governo, eles se despedem do governo que está saindo e tentam receber o governo que está entrando para poder pressioná-lo a sentar-se à mesa de diálogo”, avaliou Caicedo.
No entanto, o ELN é um dos grupos armados ilegais aos quais De la Espriella concedeu um prazo de um mês — do qual restam poucos dias — para depor as armas e se submeter à Justiça. O presidente eleito advertiu que não haverá diálogos da forma como vêm ocorrendo no mandato que está chegando ao fim.
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