Publicado 20/06/2026 03:17

A Colômbia chega neste domingo ao segundo turno das eleições mais polarizadas de sua história recente

31 de maio de 2026, Isnos, Huila, Colômbia: Os colombianos votam durante a eleição presidencial de 31 de maio de 2026, enquanto os candidatos Iván Cepeda, Abelardo de la Espriella, Paloma Valencia e outros concorrentes disputam a presidência ou uma vaga n
Europa Press/Contacto/Santiago Chimbaco

MADRID 20 jun. (EUROPA PRESS) -

A Colômbia chega neste domingo à fase decisiva de suas eleições presidenciais, após uma campanha marcada pela vitória no primeiro turno do candidato Abelardo de la Espriella sobre o candidato do partido no poder, Iván Cepeda, e por diversas polêmicas, como a interferência dos Estados Unidos, o uso político da camisa da seleção de futebol ou o protagonismo exagerado do presidente Gustavo Petro.

Todas as pesquisas apontam como vencedora a chapa presidencial do movimento Defensores da Pátria, liderada por De la Espriella, o autoproclamado “outsider” da política colombiana, a quem, durante a campanha, voltaram a lembrar de suas supostas ligações com grupos paramilitares.

O candidato de extrema direita, que no início do ano mal alcançava 20% da intenção de voto, está em torno de 50% para este domingo, situando-se no melhor de seus cenários quase oito pontos percentuais acima de Cepeda, que estaria com cerca de 44% dos apoios, segundo as pesquisas, enquanto o voto em branco ultrapassa os 6%.

Os 41 milhões de colombianos registrados para votar voltam a decidir entre dois modelos de país diametralmente opostos e em meio a uma polarização mais do que evidente, a julgar pelos resultados do primeiro turno de maio, na qual De la Espriella superou Cepeda por 660.000 votos, com mais de 406.000 votos em branco, outros 245.000 votos nulos e uma abstenção de 17 milhões de pessoas.

Ao contrário do que ocorre em outros lugares, na Colômbia os abstêmios costumam tender para o centro, e é para lá que Cepeda tem se voltado, moderando o tom e tecendo alianças com a ex-candidata Claudia López, ou modificando seu programa, descartando até mesmo suas aspirações de reformar a Constituição.

Já De la Espriella conta com o apoio de outros candidatos conservadores, como Paloma Valencia, terceira colocada no primeiro turno, bem como de seu mentor político, o ex-presidente Álvaro Uribe. Mas, sem dúvida, o apoio que mais ganha destaque na mídia é o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já expressou por duas vezes sua preferência pelo “Tigre”, como ele mesmo se autodenomina.

O retorno de Trump à Casa Branca também significou o retorno a uma maior interferência de Washington nos últimos processos eleitorais da região sul-americana, como no caso da Bolívia, ou de forma totalmente aberta em Honduras ou na Colômbia.

Trump não poupou elogios a De la Espriella e sugeriu que as boas relações entre os dois países dependerão de sua vitória. Por sua vez, o candidato colombiano já deixou claro que compartilha das políticas de Washington para combater o tráfico de drogas e o crime organizado.

No entanto, o presidente colombiano também tem sido criticado por sua participação durante a campanha, contrariando assim o princípio de independência que se espera de um chefe de Estado, a ponto de um juiz ter ordenado que ele se abstivesse de fazê-lo após aceitar uma ação de tutela apresentada pela população.

Petro também foi questionado por colocar veementemente em dúvida o resultado do primeiro turno e sugerir a possibilidade de fraude. Teorias essas que seu sucessor político não endossou.

EM TORNO DA CAMISETA DA SELEÇÃO

Na Colômbia, com exceção da Copa do Mundo de 2022 no Catar, que foi realizada no final daquele ano por motivos climáticos, o maior evento de futebol do planeta coincide com as eleições presidenciais. Uma coincidência histórica que costuma servir para acalmar os ânimos e unir a população após uma campanha eleitoral que costuma ser extremamente divergente, como a atual.

No entanto, não se lembra de nenhuma outra ocasião em que a camisa da seleção nacional de futebol tenha surgido de forma tão disruptiva, com o governo alertando que De la Espriella pretende “roubar” um símbolo que representa todos os colombianos, em um momento em que a seleção está disputando a Copa do Mundo em solo norte-americano.

A Justiça colombiana instou De la Espriella e sua equipe a deixarem de utilizar esses símbolos durante a campanha, algo que eles ignoraram, após uma denúncia na qual se alegava que, com isso, esses emblemas nacionais estavam sendo associados a uma candidatura específica. Por fim, outra decisão judicial anulou essa proibição.

O candidato da extrema direita também não poupou esforços para utilizar imagens das Forças Armadas, às quais instou em várias ocasiões a cumprir sua missão caso o governo em exercício não aceite sua vitória.

A camiseta passa, assim, a ocupar o centro do debate político, enquanto a Colômbia atravessa uma grave crise sanitária — com a histórica gestão de empresas privadas como intermediárias dos serviços de saúde sendo questionada e a reforma de Petro arquivada após mais de um ano de desacordos no Congresso —, mas também de segurança, pois continua sendo um dos países mais violentos da região.

Nos últimos cinco anos, os grupos armados dobraram o número de seus integrantes; o caso mais emblemático é o do Clã do Golfo, e a ambiciosa política de paz de Petro esbarrou na dura realidade de que o narcotráfico, o verdadeiro motor que impulsiona essas dinâmicas, continua sendo muito mais lucrativo do que as alternativas oferecidas pelo Estado, apesar de importantes melhorias sociais.

A linha dura, apoiada pelas políticas de Washington e proposta por De la Espriella para combater esses grupos, contrasta com a aposta de Cepeda em concluir a implementação dos acordos assinados com a extinta guerrilha das FARC em 2016, em Havana, e revisar o plano de “paz total” de Petro, cujas “lacunas, equívocos e erros” devem ser corrigidos.

Seja quem for o próximo presidente, ele deverá levar suas promessas eleitorais a um Congresso onde o agora governista Pacto Histórico é a maior força política em ambas as câmaras, seguido pelo Centro Democrático, o que prenuncia uma polarização significativa, na qual outras formações tradicionais, como liberais e conservadores, serão decisivas para formar maiorias e possíveis coalizões de governo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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