Publicado 09/04/2026 07:09

Clavijo lamenta a falta de quórum na Reunião Setorial e o fato de a “má política” migratória ser um “nicho de votos fascistas”

Ele nega que as Canárias sejam as únicas a arcar com os custos da visita do Papa e antecipa que, possivelmente nas “próximas semanas”, negociará o “decreto canário” com o Governo

O presidente das Canárias, Fernando Clavijo
ÁLEX ROSA (PARLAMENTO DE CANARIAS)

MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, alertou que o fenômeno migratório é “um exemplo claro de má política” e se tornou “um nicho de votos para a extrema direita e o fascismo”, ao mesmo tempo em que lamentou a suspensão da Conferência Setorial da Infância por falta de quórum, num contexto em que o arquipélago continua sob uma pressão “elevada” no acolhimento de menores migrantes desacompanhados.

Durante sua intervenção em um café da manhã informativo organizado pelo 'Nueva Economía Fórum', Clavijo destacou que o debate migratório tem sido utilizado como “campo de batalha político” na Europa e alertou que certos discursos estão mais ligados “ao medo do que ao conhecimento”.

Nesse sentido, defendeu que não faz sentido manter posições “desolidárias” diante da chegada de menores sozinhos ou que perderam suas famílias durante a travessia e reclamou acordos entre as administrações para dar resposta a uma situação estrutural.

Da mesma forma, ele lembrou a pressão que as Canárias suportam como fronteira sul da Europa e destacou que somente no porto de La Restinga, na ilha de El Hierro — com cerca de 11.000 habitantes recenseados — chegaram mais de 26.000 pessoas em 2024.

Além disso, questionado sobre o chamado “efeito chamada”, o presidente das Canárias insistiu que esse fenômeno não responde a decisões políticas concretas, mas a fatores como “a fome, a miséria” ou a redução dos projetos de cooperação internacional.

Essas declarações foram feitas depois que a Conferência Setorial da Infância, convocada para tratar da atualização da distribuição de menores migrantes desacompanhados, não pôde ser realizada por falta de quórum devido à ausência de várias comunidades autônomas governadas pelo PP, com exceção das Canárias e Ceuta.

NEGA QUE AS CANÁRIAS SEJAM A ÚNICA ADMINISTRAÇÃO A FINANCIAR A VISITA DO PAPA

Por outro lado, Clavijo negou que as Canárias sejam a única administração que contribuirá financeiramente para a visita do Papa Leão XIV à Espanha, depois que — segundo os coordenadores da viagem — o Governo das Canárias e os conselhos insulares de Gran Canaria e Tenerife são, por enquanto, as únicas administrações que confirmaram contribuições financeiras diretas para a visita, cujo custo total ultrapassará os 15 milhões de euros.

Nesse sentido, o presidente garantiu que outras instituições públicas também assumirão custos associados à viagem, mesmo que seja em espécie. “É mentira que nem Madri nem Barcelona vão contribuir financeiramente”, afirmou, ao mesmo tempo em que ressaltou que esse tipo de visita implica mobilização de segurança, infraestruturas e serviços que exigem recursos públicos.

Da mesma forma, defendeu a contribuição do Executivo regional, considerando que a visita contribuirá para dar visibilidade à realidade migratória do arquipélago e terá um impacto relevante em sua projeção internacional.

ALERTA QUE AS CANÁRIAS ESTÃO “SUBFINANCIADAS”

No que diz respeito ao financiamento regional, Clavijo reiterou que o sistema atual está “obsoleto” e defendeu que o Regime Económico e Fiscal (REF) deve manter-se à margem do modelo geral para evitar que se diluam os mecanismos de compensação decorrentes da distância e da insularidade.

Em sua opinião, integrar esses recursos ao sistema comum significa “subfinanciar os canários”, uma vez que eles se destinam a corrigir desvantagens estruturais em relação ao território continental.

Por fim, Clavijo defendeu o papel da Coalición Canaria na governabilidade estatal e destacou que sua formação chegou a acordos tanto com o PSOE quanto com o Partido Popular em torno da “Agenda Canaria”.

Segundo ele, parte desses compromissos já se concretizou em medidas como o transporte gratuito, fundos para obras hidráulicas, o acordo rodoviário ou programas contra a pobreza e o desemprego, embora tenha reconhecido que o grau de execução ainda não é total.

UM “DECRETO CANÁRIO” QUE SERÁ NEGOCIADO “NAS PRÓXIMAS SEMANAS”

Nesse contexto, ele adiantou que o Executivo regional está trabalhando com o Governo na elaboração de um “decreto canário” que permita integrar os pontos em comum contidos nas agendas assinadas com ambos os grupos e informou que as negociações com o Governo começarão possivelmente “nas próximas semanas”.

Além disso, indicou que as Canárias solicitarão uma reunião bilateral com o Executivo — semelhante à realizada recentemente entre o presidente do Governo e o lehendakari —, com o objetivo de abordar especificamente o cumprimento da “Agenda Canária” e reforçar o acompanhamento dos compromissos assumidos com o arquipélago.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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