Publicado 11/08/2025 08:03

Clavijo acredita que é "crucial" que as RUPs e seus Estados "lutem juntos em defesa" de seu status específico na UE

O Presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, com o Presidente da Madeira, Miguel Alburqueque
GOBIERNO DE CANARIAS

LAS PALMAS DE GRAN CANARIA 11 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, considera "crucial" que as nove regiões ultraperiféricas (RUP) e seus três Estados - Espanha, Portugal e França - "lutem juntos em defesa de seu status específico" na União Europeia (UE).

Clavijo, em uma carta em resposta à carta enviada pelo chefe do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, convida o restante dos territórios abrangidos pelo artigo 349 do Tratado a responder, "de forma coordenada" e "como uma só voz", a uma proposta de Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 que "compromete o desenvolvimento econômico e social" das RUP, conforme relatado pelo Governo das Ilhas Canárias em um comunicado à imprensa.

Dessa forma, o presidente canário "compartilha plenamente" com seu colega da Madeira a "preocupação gerada" pelo conteúdo do documento elaborado pela Comissão Europeia, um texto legislativo e financeiro que "deixa a distribuição dos fundos europeus nas mãos de cada Estado e elimina os bolsos de recursos específicos" para as RUP que existem atualmente e "foram respeitados em todos" os orçamentos anteriores da UE.

Clavijo adverte, portanto, que a implementação da proposta apresentada por Bruxelas em 16 de julho representa "um retrocesso inaceitável" em termos do tratamento específico que as regiões ultraperiféricas receberam até agora para "aliviar suas desvantagens óbvias, direitos reconhecidos e respeitados na UE há décadas".

Assim, ele concorda com seu colega português ao denunciar a "gravidade" das consequências que "a omissão de medidas específicas que reconheçam as limitações estruturais e permanentes que afetam" as RUP teria sobre elas.

"A ausência de dotações adicionais no FEDER e no FSE+, bem como a falta de uma linha orçamental dedicada ao POSEI e de ajudas para custos adicionais no setor das pescas, constituem retrocessos inaceitáveis que comprometem o desenvolvimento econômico e social dos nossos territórios", sublinha Clavijo na carta enviada a Albuquerque.

Ele acrescentou que, diante dessa "ameaça", as nove regiões ultraperiféricas e seus três estados - Espanha, França e Portugal - devem "responder de forma decisiva e rápida", mas, "acima de tudo, com unidade para defender" seus interesses comuns.

CRIANDO UMA FRENTE

Clavijo propõe ao Presidente da Madeira a criação de uma frente para "articular uma posição conjunta" perante as instituições europeias, com o objetivo de garantir "um tratamento justo, coerente e estável" para todas as RUP no futuro quadro financeiro e legislativo.

O objetivo, segundo ele, é trabalhar para que as RUP continuem a ser consideradas em bloco como regiões que "necessitam de tratamento e fundos específicos".

A esse respeito, Clavijo expressou sua convicção de que somente por meio da unidade e da firmeza será possível "garantir que a União Europeia mantenha seu compromisso" com as regiões, conforme estabelecido no artigo 349 do Tratado. Ele também afirmou que o governo das Ilhas Canárias está "totalmente preparado" para colaborar com essa iniciativa e contribuir ativamente para a elaboração de uma estratégia conjunta que lhes permita defender seus direitos e necessidades.

A carta que o Presidente da Madeira enviou na semana passada vem juntar-se à carta que Fernando Clavijo enviou no dia 31 de Julho à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, na qual transmitiu à líder europeia a sua "profunda preocupação" com o conteúdo do novo Quadro Financeiro Plurianual e os efeitos negativos que a sua aplicação teria no arquipélago, solicitando a "blindagem" dos fundos diretos para as regiões ultraperiféricas.

Clavijo advertiu Von der Leyen de que o Quadro Financeiro da UE proposto para o período 2028-2034 "deixa a distribuição dos recursos nas mãos" dos Estados-Membros, o que "arruinaria 50 anos de uma política de coesão construída com e para as regiões europeias, que estão mais próximas dos cidadãos e que souberam utilizar esses fundos europeus para melhorar a convergência econômica e a qualidade de vida dos seus cidadãos".

Afirmou ainda que esta mudança de modelo "deixa os fundos" que o arquipélago tinha garantido como região ultraperiférica "no ar, à custa do que o Estado decidir". No quadro financeiro 2021-2027, as Ilhas Canárias receberam diretamente mais de 4,6 bilhões de euros como região ultraperiférica.

Além disso, do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo Social Europeu (FSE), as ilhas recebem 2,73 bilhões de euros no atual período orçamentário, enquanto o Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade (POSEI) aloca 1,878 bilhão de euros.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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