Publicado 30/06/2026 10:28

O Clã do Golfo transmite a De la Espriella seu interesse no processo de paz e em aceitar a Justiça colombiana

27 de junho de 2026, Ipiales, Nariño, Colômbia: O presidente eleito da Colômbia, Abelardo De la Espriella, visita o Santuário de Las Lajas para agradecer à Nossa Senhora de Las Lajas após sua vitória nas eleições presidenciais de 2026, em Ipiales, Nariño,
Europa Press/Contacto/Camilo Erasso

MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -

O grupo paramilitar Clã do Golfo comunicou ao presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, sua disposição de dar continuidade ao processo de paz e se submeter à Justiça, por meio de uma carta assinada por seu líder, Jobanis de Jesús Ávila Villadiego, conhecido como “Chiquito Malo”.

“Estamos prontos, senhor presidente”, afirmou o grupo a De la Espriella, que, ao receber as credenciais que o confirmam como novo chefe de Estado há alguns dias, advertiu os grupos armados ilegais de que tinham um mês para abandonar a luta armada. “No meu governo não haverá ofertas generosas”, afirmou.

No entanto, o grupo, que se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia (EGC), reiterou sua disposição em receber o alto comissário para a Paz e os novos funcionários do futuro governo para “continuar com eles o caminho do diálogo” que sirva para que se submetam à Justiça.

Além disso, na carta assinada por ‘Chiquito Malo’, pode-se ler até mesmo uma proposta para que os Estados Unidos e o Reino Unido participem das negociações, mantendo, porém, os atores que até o momento têm atuado como mediadores, como Espanha, Noruega, Suíça e Catar, além da Conferência Episcopal Colombiana.

“Queremos estender um convite com espírito transparente e proativo para que, por intermédio de sua dignidade, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido se associem ao processo de diálogo com nosso exército”, destaca a carta que o grupo publicou em suas redes sociais.

O Clã do Golfo, atualmente a maior organização armada ilegal do país, destacou que, com base em seu “sólido enraizamento” social, político e territorial, é necessário garantir a todas as pessoas que fazem parte dele, direta ou indiretamente, sua segurança jurídica e pessoal, bem como estabelecer como suas comunidades serão protegidas de outros grupos durante uma eventual negociação.

Da mesma forma, o grupo reconhece o “interesse legítimo” do presidente eleito em substituir os cultivos ilícitos e as demais economias irregulares nas regiões em que está presente, mas insta a que qualquer mudança seja feita levando em conta os direitos das comunidades agrícolas e mineradoras.

“Essas comunidades (...) devem ser interlocutoras centrais de qualquer processo que vise uma transformação duradoura das economias rurais”, reivindicou o Clã do Golfo, que argumenta ter se erguido como uma espécie de protetor “há anos” dessas regiões e de seu povo, “historicamente negligenciadas pelo Estado”, diante dos cartéis de tráfico de drogas, das redes de tráfico de migrantes e da depredação ambiental.

NEGOCIAÇÕES DO GOVERNO DE PETRO COM O CLÃ DO GOLFO

O governo do presidente cessante, Gustavo Petro, e o Clã do Golfo vinham mantendo diálogos formais desde setembro de 2025 em Doha, no Catar, embora o processo de negociação tenha sofrido um novo revés em fevereiro de 2026, após o encontro do presidente colombiano com Donald Trump na Casa Branca.

Naquele encontro, Petro solicitou apoio aos Estados Unidos para capturar algumas das principais figuras do conflito armado colombiano, entre elas o líder do Clã do Golfo, Jobanis de Jesús Ávila Villadiego, conhecido como “Chiquito Malo”.

No entanto, as conversas foram retomadas em meados de fevereiro, já em Bogotá, depois que, segundo o Clã do Golfo, o Ministério da Defesa da Colômbia aceitou retirar “Chiquito Malo” de sua lista de “alvos de alto valor”, e houvesse avanços na proposta de conceder ao grupo um status político.

No entanto, o governo sempre reiterou que as operações contra o grupo continuam e apenas permitiu, como parte dos diálogos e enquanto a negociação avança, o traslado para as zonas de localização temporária de seus integrantes sem mandados de extradição, o que, portanto, não beneficia “Chiquito Malo”.

Também conhecido como “Javier”, “Chiquito Malo” assumiu o comando do Clã do Golfo após a captura, em outubro de 2021, de Dairo Antonio Úsuga David, conhecido como “Otoniel”, que por anos foi a pessoa mais procurada na Colômbia e agora cumpre pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos.

Segundo a Inteligência colombiana, desde 2022 — e coincidindo com as primeiras tentativas do governo de estabelecer um processo de negociação —, o Clã do Golfo vem aumentando o número de membros e sua presença em outros cenários, o que tem gerado confrontos com outros grupos armados.

A última polêmica em relação ao grupo diz respeito a informações e vazamentos publicados pela imprensa colombiana, que indicam que o governo teria concedido certas concessões — como a redução do número de operações e da presença militar em suas áreas de atuação — em troca de avanços no processo de paz.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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