Publicado 22/10/2025 11:55

A CIJ diz que Israel "tem a obrigação" de "aceitar e facilitar" as entregas de ajuda a Gaza

Archivo - Arquivo - Palestinos tentam recuperar seus pertences depois que Israel bombardeou uma escola para pessoas deslocadas no leste da Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza (arquivo).
Omar Ashtawy/APA Images via ZUMA / DPA - Arquivo

Ele aponta a falta de "evidências" para apoiar as acusações sobre a suposta relação entre a UNRWA e o Hamas.

Israel critica a posição "previsível" da CIJ, que pede que o país "adira" à lei internacional

MADRID, 22 out. (EUROPA PRESS) -

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) afirmou nesta quarta-feira que Israel "tem a obrigação" de "aderir e facilitar" a distribuição de ajuda à população palestina da Faixa de Gaza, incluindo a oferecida pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA).

"O tribunal considera que Israel tem a obrigação de aceitar os planos para a entrega de ajuda, tanto da ONU quanto de suas entidades", disse o presidente do tribunal, Yuji Iwasawa, que indicou que Israel "deve atender às necessidades básicas da população de Gaza", inclusive fornecendo "os meios necessários para garantir sua sobrevivência".

Como uma "potência ocupante", Israel "tem a obrigação de atender às necessidades da população local, incluindo a entrega de bens essenciais vitais para seu bem-estar". "A livre circulação do pessoal da ONU na área para a entrega dessa ajuda também deve ser respeitada por Israel", disse ele, em resposta a uma consulta da Assembleia Geral da ONU.

Nesse sentido, ele garantiu que as autoridades israelenses não "forneceram evidências que sustentem que o pessoal da UNRWA esteja ligado ao Hamas", como o exército israelense indicou em várias ocasiões.

"Essas alegações não são sustentadas", disse Iwasawa, apesar de Israel ter proibido as atividades da agência em solo israelense depois de dizer que seus funcionários estavam envolvidos em ataques do Movimento de Resistência Islâmica e outras facções palestinas em 7 de outubro de 2023.

Ele também afirmou que, desde outubro de 2023, a agência da ONU tem sido "uma parte fundamental da resposta humanitária" no enclave e tem ajudado os refugiados palestinos a obter "assistência urgente" e salvar suas vidas. "Israel tem a obrigação de não impedir as operações de entidades da ONU e outras organizações e países terceiros, e de cooperar de boa fé com eles", acrescentou.

O presidente do tribunal reiterou a necessidade de reconhecer "o direito do povo palestino à autodeterminação, bem como seu direito a um Estado independente e soberano, com segurança e paz". "As resoluções da ONU contribuem para a estabilidade regional e para a estabilidade de todos os estados do Oriente Médio", disse ele.

"Por todas essas razões, o tribunal considera unanimemente que tem jurisdição para emitir esse documento", disse ele, antes de afirmar que "Israel deve cumprir suas obrigações sob a lei internacional como uma potência ocupante".

"É necessário garantir que a população palestina nos territórios ocupados receba suprimentos essenciais para sua vida diária, como alimentos, água, roupas, abrigo, combustível e suprimentos médicos", disse ele.

ISRAEL CRITICA A POSIÇÃO "PREVISÍVEL" DA JICC

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, criticou fortemente a posição do tribunal como "previsível", especialmente com relação à UNRWA. "Essa é outra tentativa política de impor medidas políticas contra Israel sob o pretexto da lei internacional", lamentou ele em um comunicado.

"A CIJ deveria ter denunciado a atividade terrorista na qual a UNRWA esteve envolvida: os funcionários da UNRWA estiveram diretamente envolvidos no massacre de 7 de outubro e continuam a apoiar as operações terroristas do Hamas, tudo sob os auspícios das Nações Unidas.

"Essa atividade terrorista do Hamas dentro da UNRWA data de antes do massacre de 7 de outubro, mas também ocorreu durante e após o massacre. Israel forneceu à ONU inúmeras evidências que demonstram a infiltração do Hamas na UNRWA, mas a ONU nunca investigou a extensão total dessa infiltração. Até hoje, a UNRWA continua a empregar mais de 1.400 agentes do Hamas. Israel não cooperará com uma organização atormentada por atividades terroristas", enfatizou.

Nesse sentido, ele defendeu a "total conformidade de Israel com suas obrigações sob a lei internacional" e rejeita "categoricamente" a "politização da lei internacional para gerar resultados políticos e impor medidas que visam prejudicar o Estado de Israel".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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