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MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou nesta sexta-feira sua preocupação com o aumento dos episódios de violência política na Colômbia e instou ao reforço da segurança, tendo em vista as eleições presidenciais deste próximo domingo, 31 de maio.
O órgão alertou sobre ameaças, sequestros e ataques contra candidatos e líderes em plena campanha durante o atual processo eleitoral na Colômbia e insistiu na necessidade de intensificar as medidas de prevenção e proteção diante da reta final das eleições presidenciais, com especial atenção à segurança dos candidatos à Presidência.
Como exemplo de candidatos e líderes políticos que denunciaram ameaças e atos de violência contra si no contexto da campanha, a CIDH citou intimidações dirigidas ao candidato do partido governista, Iván Cepeda, ao conservador Abelardo de la Espriella ou à representante do Centro Democrático — de direita —, Paloma Valencia.
Da mesma forma, lembrou o sequestro da candidata à vice-presidência Aida Quilcué e o assassinato — em 15 de maio passado — de Rogers Mauricio Devia Escobar e Fabián Cardona, membros da campanha do movimento Defensores da Pátria no departamento de Meta. A esses fatos, acrescentou também o atentado sofrido em 20 de maio pelo senador Alexander López após participar de um ato político ao lado de Cepeda.
A Comissão enquadrou esses incidentes em um cenário marcado por denúncias sobre o avanço de grupos armados e estruturas criminosas em diferentes regiões do país, uma situação que — em sua opinião — dificulta o exercício dos direitos políticos dos cidadãos.
Nesse sentido, citou as advertências da Missão de Observação Eleitoral (MOE), que identificou riscos para o normal desenrolar das eleições em 386 municípios colombianos, cerca de um terço do total nacional. Destes, 139 apresentam um nível de risco extremo, enquanto 122 estão classificados como de alto risco e outros 125 como de risco médio. Os departamentos mais afetados por essa situação são Cauca e Antioquia, seguidos por Arauca, Cesar, Caldas e Chocó.
Diante disso, a CIDH tomou nota das medidas promovidas pelo Governo colombiano para reforçar a segurança durante o ciclo eleitoral. Entre elas, destaca-se o chamado Plano Democracia 2026, elaborado para coordenar a atuação das Forças de Segurança antes, durante e após as eleições, bem como para garantir a proteção das pessoas expostas a ameaças.
De acordo com informações transmitidas a este órgão pelo Estado, o Comitê de Coordenação e Recomendação de Medidas de Proteção (CORMPE) foi ativado meses antes do início do processo e já realizou 18 sessões. Além disso, asseguram no Executivo, os 26 candidatos inscritos contam com esquemas de segurança específicos.
As autoridades também reforçaram, desde março, os dispositivos destinados aos candidatos à presidência e à vice-presidência por meio da incorporação de mais de 460 policiais, 260 membros da Unidade Nacional de Proteção e 94 veículos blindados. A isso se soma o destacamento de mais de 11.400 agentes de segurança em diferentes pontos do país para acompanhar as atividades de campanha, dispositivos esses que foram revisados e ampliados no final de abril.
A CIDH também valorizou os avanços na investigação de denúncias, a incorporação de uma perspectiva de gênero nas ações institucionais e a abertura de novos canais para receber relatos sobre possíveis violações do direito à participação política.
Chegando a este ponto, a Comissão lembrou que o Estado colombiano tem a responsabilidade de garantir que os direitos políticos possam ser exercidos em condições de segurança e igualdade. Nesse sentido, ela enfatizou a necessidade de fortalecer as medidas de prevenção, proteção e investigação contra a violência política e de promover políticas públicas que contribuam para a desmobilização de grupos armados e organizações criminosas.
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