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A organização destaca que “muitas famílias” libanesas “continuam aguardando respostas sobre o que aconteceu com seus entes queridos”
MADRID, 4 set. (EUROPA PRESS) -
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou nesta sexta-feira que facilitou o traslado para o Líbano de cinco pessoas libertadas pelas autoridades de Israel, um dia depois de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter anunciado a libertação dessas pessoas, detidas no sul do Líbano.
“O CICR facilitou, a pedido das partes envolvidas, o traslado para o Líbano de cinco pessoas libertadas da detenção israelense”, afirmou o órgão em um comunicado, no qual detalhou que uma pessoa foi transferida na quinta-feira, enquanto outras quatro foram transferidas ao longo do dia, em todos os casos “com pleno respeito à sua segurança e dignidade”.
Assim, o CICR destacou que “o papel do CICR nesta operação foi de caráter estritamente humanitário, como intermediário neutro entre Israel e o Líbano”, ao mesmo tempo em que explicou que o órgão mantém “um diálogo bilateral e confidencial com as autoridades competentes para tratar de questões relacionadas a pessoas detidas, falecidas ou desaparecidas em contextos de conflito armado”.
“Muitas famílias no Líbano continuam esperando respostas sobre o que aconteceu com seus entes queridos, que podem estar detidos, mortos ou considerados desaparecidos”, afirmou, antes de ressaltar que continua trabalhando para descobrir o paradeiro dessas pessoas. “Além disso, estamos preparados para atuar como intermediário neutro em futuras operações humanitárias, desde que as partes cheguem a um acordo”, acrescentou.
“Desde outubro de 2023, o CICR não tem acesso aos detidos em centros de detenção em Israel, como os cidadãos libaneses”, lamentou o CICR, que reiterou seu pedido para “receber informações sobre detidos em contextos de conflito armado e ter acesso a elas” e acrescentou que continua em contato com Israel “para retomar imediatamente seu trabalho na área de detenção”.
Netanyahu afirmou na quinta-feira que essas cinco pessoas seriam libertadas depois que se determinou, nos interrogatórios, que “são civis”. “Elas não estavam envolvidas em terrorismo e não há motivo para continuar mantendo-as em Israel”, afirmou o gabinete de Netanyahu, que enquadrou essa medida nas negociações com o Líbano.
O Líbano e Israel chegaram, em 26 de junho, a um acordo preliminar com a mediação dos Estados Unidos que estabelecia as bases para um cessar-fogo permanente e incluía o restabelecimento da soberania libanesa no sul do país, mas também o desarmamento do Hezbollah, questão que o grupo rejeitou categoricamente.
Desde então, Israel tem alegado razões de segurança e a recusa do Hezbollah em aceitar o acordo para justificar a continuidade de suas operações militares no sul do Líbano, no âmbito da nova invasão desencadeada depois que o grupo lançou projéteis contra o país em resposta à ofensiva conjunta lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
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