Publicado 15/01/2026 05:35

Chinchilla avisa que se pode perder a "oportunidade" de uma transição se não se contar com a oposição

A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla (c), durante um café da manhã informativo, na sede do Clube de Madrid, em 14 de janeiro de 2026, em Madrid (Espanha). O encontro, organizado pelo Clube de Madrid, ocorre por ocasião da primeira visita de Chi
Jesús Hellín - Europa Press

MADRID 15 jan. (EUROPA PRESS) - A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, alertou que a “oportunidade” para uma transição democrática na Venezuela pode ser perdida se não se buscar um “acordo” com as forças opositoras e se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, priorizar apenas os investimentos econômicos no país.

Em entrevista à Europa Press após assumir o cargo de presidente do Clube de Madrid, a ex-mandatária costarriquenha alertou que, enquanto se “arrastar” um cenário “intermediário” em que não haja uma aposta clara pela democratização da Venezuela que conte com as forças opositoras, pode-se perder a janela aberta para uma transição.

“A oportunidade que existe para uma transição ordenada pode começar a se fechar. Confiamos que seja possível avançar, mas não se pode deixar de expressar a preocupação de que a mensagem ainda não é clara, especialmente sobre qual será o papel das forças da oposição nesse processo”, disse ela, referindo-se aos primeiros passos de Washington na Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro na operação militar dos Estados Unidos em Caracas, em 3 de janeiro.

Segundo a ex-líder da Costa Rica, as próprias empresas petrolíferas exigiram clareza a Washington, pelo que, enquanto se mantiver um cenário em que “não se sabe exatamente quem governa, para quem governa e que interesses representa”, sem encontrar “acomodação” para as forças opositoras lideradas por Edmundo González e María Corina Machado.

Após a operação que tirou Maduro do poder, Chinchilla considera que existem algumas “expectativas”. “Mesmo que o elemento da democracia não tenha sido necessariamente privilegiado no discurso de Trump. Acredito que os Estados Unidos, de alguma forma, vão começar a enfrentar uma pressão diante dessas expectativas”, afirmou.

Em sua opinião, a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela deixa a lição de que a democracia é o “melhor sistema” para evitar que conflitos internos “escalem para o plano internacional”, ao mesmo tempo em que é necessário apostar no reforço do sistema multilateral para evitar “ações unilaterais”. Por isso, ela defendeu enfrentar as reformas necessárias para que o sistema “responda oportunamente aos conflitos que se apresentam”.

Nesse sentido, rejeitou que os conflitos que ocorrem na região da América Central ou do Caribe "desemboquem no mesmo padrão", com uma intervenção militar, mas reconhece que, neste momento, a "incerteza" marca as relações dos países da região com Washington.

INFLUÊNCIA DOS EUA NA AMÉRICA CENTRAL A nova presidente do Clube de Madri, principal fórum mundial de ex-presidentes e primeiros-ministros de países democráticos, se pronunciou sobre a crescente influência dos Estados Unidos na região da América Central também em processos eleitorais como Honduras ou El Salvador.

“Mais do que ações oficiais entre governos, elas estão ocorrendo no nível de pessoas que ocupam cargos e que se identificam ideologicamente”, indicou. “Esses vasos comunicantes estão operando, o encontro dessas personalidades diante de temas da agenda global, e acredito que isso continuará acontecendo”, explicou.

Dessa forma, ela aponta que o ciclo eleitoral na América Latina aponta para uma guinada à direita. “Vemos também que, quase naturalmente, Washington tende a ter muita influência na política latino-americana”, afirmou, apontando para a identificação dos líderes da região com os valores do Partido Republicano de Trump. ELEIÇÕES NA COSTA RICA

A esse respeito, questionada sobre as eleições presidenciais na Costa Rica em 1º de fevereiro, Chinchilla apontou que o país está caminhando na direção de consolidar as forças de direita, seguindo os passos do atual presidente, Rodrigo Chaves.

“Eu diria que, no caso da Costa Rica, é mais uma questão de autoritarismo, o que estamos vivendo é que, atualmente, essa é a opção preferida do eleitor costarriquenho”, indicou, reconhecendo que as questões que mais preocupam a população são a migração e a segurança, assuntos que beneficiam certas posições de mão dura dos partidos de direita.

De qualquer forma, Chinchilla evitou proclamar uma guinada conservadora, pois “às vezes não passa de uma reação punitiva contra aqueles que estão governando”. “É lógico que, na hora de punir aqueles que estão no poder, haja uma tendência a se orientar por alternativas ideológicas que confrontam esses governos”, explicou.

Segundo sua previsão, a direita está bem posicionada para revalidar o poder, uma vez que a candidata oficialista, Laura Fernández, parte com grande vantagem nas pesquisas sobre os demais rivais, mas “também não se descarta um segundo turno”, seguindo a tendência das últimas eleições na Costa Rica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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