Europa Press/Contacto/Chen Yehua
MADRID, 7 mar. (EUROPA PRESS) -
O governo chinês percebe que a iniciativa da nova administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de se desligar gradualmente das organizações internacionais representa uma "oportunidade estratégica" para o gigante asiático preencher o vácuo deixado por Washington nos fóruns estrangeiros.
"Essa retirada de várias organizações internacionais, bem como o congelamento da maior parte da ajuda, é uma decisão que beneficia a China e oferece uma oportunidade estratégica para a China em assuntos internacionais", disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, na sexta-feira, em uma coletiva de imprensa por ocasião da terceira sessão do 14º Congresso Nacional.
Em uma apresentação em que abordou vários pontos de interesse, o ministro declarou sua rejeição a qualquer exemplo de "política de poder e hegemonia" e insistiu em seu compromisso com o "multilateralismo".
"Na China, acreditamos que os amigos devem ser permanentes e que devemos buscar interesses comuns", explicou o ministro em declarações relatadas pelo jornal estatal chinês 'Global Times'. "A história mostrará que o verdadeiro vencedor é aquele que leva em conta os interesses de todos, e que somente uma comunidade garantirá que o mundo pertença a todos os países", acrescentou, antes de defender o papel das Nações Unidas, especialmente em tempos de turbulência.
"Quanto mais complexos os problemas, maior a necessidade de acentuar a importância do status da ONU, e quanto mais difíceis os desafios, maior a necessidade de defender sua autoridade", acrescentou o ministro chinês, antes de se referir ao conflito entre os EUA e a China sobre o Canal do Panamá ou à atual guerra tarifária como exemplos de discrepâncias.
"O povo da América Latina quer construir sua própria casa. O que eles não querem é ser o quintal de alguém. Eles aspiram à sua independência e autodeterminação, não querem se tornar um novo exemplo da Doutrina Monroe", acrescentou o ministro, referindo-se a uma posição tradicional dos EUA na política externa que considera a intervenção de outros países na América Latina como uma ameaça aos seus interesses.
Por fim, o ministro chinês reiterou seu apoio ao plano árabe para Gaza anunciado esta semana no Egito - que prevê cerca de 50 bilhões de euros para a reconstrução do enclave e ao qual Washington se opõe - antes de advertir que "Gaza é uma parte inseparável do território palestino" e que "qualquer mudança forçada de seu status só levará a novas cenas de caos".
"Não podemos desafiar a vontade do povo nem abandonar o princípio da justiça", acrescentou.
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