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MADRID 14 set. (EUROPA PRESS TELEVISION) -
O governo chinês anunciou neste sábado que está iniciando uma investigação por suposto dumping na importação de certos circuitos integrados analógicos fabricados pelos Estados Unidos, considerando que "violou seriamente as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudicou os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a China se opõe firmemente a eles".
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China disse que "os EUA recentemente excederam o conceito de segurança nacional, abusaram dos controles de exportação e da jurisdição de longo alcance, e maliciosamente bloquearam e suprimiram os produtos de chips e a indústria de inteligência artificial da China", de acordo com declarações à imprensa relatadas pela agência de notícias Xinhua.
Essas ações, insistiu ele, não apenas violaram seriamente as regras do comércio internacional, mas também prejudicaram as empresas chinesas. Por exemplo, entre 2022 e 2024, as importações desses produtos dos EUA cresceram 37%, enquanto seus preços caíram 52%, causando um impacto negativo nos preços e na capacidade operacional dos fabricantes chineses.
A decisão segue uma petição apresentada por uma associação provincial da indústria de semicondutores, agindo em nome do setor local. De acordo com as autoridades, a investigação se concentrará em dois tipos de chips: chips de interface de commodities e gate drivers, ambos produzidos com tecnologias de 40 nanômetros ou mais.
O ministério disse que o procedimento foi realizado de acordo com a legislação nacional e em conformidade com as regras estabelecidas pela OMC, e estimou que a investigação será concluída até 13 de setembro de 2026, embora possa ser prorrogada por mais seis meses, se as circunstâncias justificarem.
INVESTIGAÇÃO SOBRE DISCRIMINAÇÃO PARALELA
Além do processo antidumping, o mesmo Ministério iniciou uma investigação por suposta discriminação contra as medidas dos EUA que afetam o setor de circuitos integrados chinês. De acordo com evidências preliminares, essas medidas poderiam se qualificar como restritivas ou discriminatórias de acordo com a Lei de Comércio Exterior da China.
Nesse contexto, a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Máquinas e Produtos Eletrônicos apoiou publicamente as decisões do Ministério e expressou seu compromisso de cooperar com as investigações.
A instituição também criticou fortemente as medidas unilaterais da Casa Branca, dizendo que elas prejudicaram novamente os interesses legítimos das empresas chinesas e interromperam o funcionamento das cadeias de suprimentos globais, de acordo com o mesmo veículo de mídia.
A câmara instou as empresas chinesas a aumentar sua capacidade de inovação tecnológica, fortalecer a coordenação industrial e expandir sua presença nos mercados internacionais.
CRÍTICAS ÀS NOVAS SANÇÕES DOS EUA
Por outro lado, o governo chinês também expressou sua rejeição aberta à recente inclusão de várias entidades chinesas na lista de controle de exportação dos EUA, considerando-a uma ação "punitiva e infundada" que afeta setores como o de semicondutores, biotecnologia e aeroespacial.
O porta-voz ministerial também questionou as intenções dos EUA, especialmente quando os dois países planejaram iniciar conversações econômicas e comerciais na Espanha em 14 de setembro. "Essa decisão dos EUA levanta dúvidas sobre suas reais intenções", acrescentou.
Nessa linha, Pequim rejeitou veementemente a ação mais recente do governo dos EUA, que adicionou várias entidades chinesas à sua lista de controle de exportação. A China considera que a Casa Branca abusou do conceito de segurança nacional para justificar a imposição de restrições unilaterais, justificando sanções que, em sua opinião, representaram "práticas coercitivas e intimidadoras".
"Os EUA usaram o pretexto de proteger a ordem internacional para, na realidade, colocar seus interesses acima dos direitos de desenvolvimento de outros países", disse o porta-voz. Em sua opinião, essas decisões distorceram os mercados globais, interromperam o comércio legítimo e afetaram a estabilidade das cadeias globais de valor.
Nesse ponto, a declaração do Ministério também enfatiza que as sanções impostas a setores como o de semicondutores, biotecnologia, aeroespacial e logística impedem o comércio normal e prejudicam a segurança econômica internacional.
O porta-voz reiterou, e a Xinhua informou, que a China e os Estados Unidos concordaram em realizar reuniões econômicas e comerciais bilaterais na Espanha a partir de 14 de setembro. Nesse contexto, "a imposição de novas sanções pelos EUA gerou incerteza sobre a autenticidade de sua disposição de dialogar", alertou.
Por fim, o governo chinês pediu à administração dos EUA que reverta imediatamente suas ações e garantiu que tomará as medidas necessárias para proteger os interesses legítimos de suas empresas diante de qualquer tentativa de repressão injustificada.
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