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Pequim afirma que Washington “é a maior fonte de perturbação da ordem nuclear” e pede que chegue a um acordo com a Rússia sobre o Novo START MADRID 11 fev. (EUROPA PRESS) -
O governo da China classificou nesta quarta-feira como “completamente infundadas” as afirmações dos Estados Unidos sobre um suposto teste nuclear em junho de 2020 e ressaltou que se opõe à “invenção de pretextos por parte dos Estados Unidos para reiniciar seus próprios testes nucleares”.
“A China pede aos Estados Unidos que renovem o compromisso dos cinco Estados nucleares com uma moratória aos testes nucleares, que respeitem o consenso global sobre a proibição dos testes nucleares e que adotem ações concretas para salvaguardar o regime internacional de desarmamento e não proliferação nuclear”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, em coletiva de imprensa.
“A China está comprometida com o desenvolvimento pacífico, segue uma estratégia nuclear centrada na autodefesa e mantém uma coerência de longo prazo em sua política nuclear. Continuaremos a desempenhar um papel construtivo na salvaguarda da paz e da segurança internacionais”, afirmou, antes de acusar Washington de “continuar a distorcer e denegrir a política nuclear da China”. Além disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores enfatizou que “os Estados Unidos são a maior fonte de perturbação da ordem nuclear internacional e da estabilidade estratégica global”. “Na área do controle de armas, os Estados Unidos deixaram expirar o tratado Novo START, em detrimento da confiança entre as grandes potências e da estabilidade estratégica”, argumentou. Lin afirmou ainda que “os Estados Unidos gastaram bilhões de dólares para melhorar sua tríade nuclear e trabalharam para construir um sistema global antimísseis e estabelecer o avanço da implantação de bens estratégicos”, ao mesmo tempo que argumentou que Washington “mantém um duplo padrão sobre a não proliferação”, o que “afeta gravemente o equilíbrio estratégico global e a estabilidade e prejudica a paz e a segurança internacional”. “Com um enorme arsenal nuclear, os Estados Unidos devem assumir sua responsabilidade especial e primordial em matéria de desarmamento nuclear. Este é o consenso internacional”, afirmou Lin, que reiterou que Pequim “espera que os Estados Unidos retomem o diálogo com a Rússia sobre estabilidade estratégica para discutir os acordos” após o término do Novo START.
O tratado, assinado em abril de 2010 em Praga pelos então presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Dimitri Medvedev, respectivamente, entrou em vigor em fevereiro de 2011 após a ratificação do documento por ambos os países. No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que a Rússia suspenderia sua participação em fevereiro de 2023, em meio à invasão da Ucrânia, sem que as partes tivessem concordado com sua renovação. ACUSAÇÕES DOS EUA As palavras de Lin vêm depois que o subsecretário de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, Thomas DiNanno, afirmou na semana passada, durante sua participação na Conferência de Desarmamento de Genebra (Suíça), que a China teria realizado o referido teste, que teria ocultado da comunidade internacional por meio de uma tecnologia para confundir os sistemas de detecção sismológica utilizados na detecção desse tipo de teste.
“A China realizou testes nucleares e preparativos para testes com cargas de centenas de toneladas”, disse ele, antes de esclarecer que o Exército chinês teria usado uma tecnologia conhecida como “desacoplamento” que “reduz a eficácia da detecção sísmica para ocultar suas atividades do mundo”. “A China realizou um desses testes nucleares em 22 de junho de 2020”, concluiu.
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