JULIEN DELFOSSE / DPPI Media / AFP7 / Europa Press
MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Costeira da China acusou, nesta terça-feira, as Filipinas de “distorcer os fatos” e “acusar falsamente Pequim” por um incidente no Mar da China Meridional, ocorrência que teria resultado em pelo menos um marinheiro filipino ferido, em meio às tensões bilaterais na região, que vêm aumentando nos últimos anos.
O órgão indicou em um comunicado que “uma patrulha da Guarda Costeira estava realizando uma patrulha de rotina em águas próximas ao recife de Renai, o maior da China, onde as Filipinas haviam ancorado um navio, do qual saíram duas embarcações infláveis”.
“Ignorando as repetidas e claras advertências da China, as embarcações filipinas se aproximaram rapidamente e colidiram perigosamente com a embarcação de patrulha chinesa. Durante o incidente, o pessoal filipino atacou agressivamente os agentes da lei chineses utilizando remos e varas longas”, afirmou.
Assim, defendeu que seu pessoal “tomou medidas em conformidade com as leis e regulamentos, incluindo advertências, manobras e contramedidas recíprocas para estabilizar a situação e manter o máximo de contenção e racionalidade”, antes de lamentar que “após o incidente, as Filipinas distorceram os fatos e acusaram falsamente a China”.
“É uma contradição total. Exigimos que as Filipinas cessem imediatamente suas provocações e difamações infundadas”, afirmou a Guarda Costeira chinesa, que reiterou que manterá suas “atividades de vigilância” na área, “em conformidade com a lei”, para “salvaguardar com firmeza a soberania territorial nacional e os direitos marítimos”.
Nesse contexto, a Embaixada da China nas Filipinas publicou nas redes sociais vários vídeos sobre o incidente e ressaltou que “a parte filipina iniciou a provocação e seu pessoal atacou primeiro”. “Não se pode começar uma briga e depois se fazer de vítima”, afirmou o vice-porta-voz da embaixada, Guo Wei.
A reação da China ocorre depois que as Forças Armadas das Filipinas acusaram, na segunda-feira, a Guarda Costeira chinesa de atacar um navio de sua Marinha perto do banco de areia de Ayungin, parte das ilhas Spratly, ações que descreveram como “violentas e ilegais”.
CRÍTICAS DOS EUA À CHINA
Por sua vez, o governo dos Estados Unidos condenou as ações “perigosas e agressivas” da China contra as Filipinas na região e pediu a Pequim que “cesse imediatamente seu comportamento desestabilizador”.
“O preocupante padrão de provocações da China contra as operações marítimas legítimas das Filipinas prejudica a paz e a estabilidade regionais e contradiz diretamente os repetidos compromissos da China de resolver as disputas pacificamente”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Pigott.
Assim, ele expressou o apoio de Washington a Manila, um “aliado”, e elogiou “o profissionalismo e a moderação demonstrados pelo pessoal da Marinha filipina durante este incidente”, ao mesmo tempo em que relembrou a decisão de um tribunal de arbitragem de 2016 que “determina que as amplas reivindicações marítimas da China no Mar da China Meridional não têm fundamento no Direito Internacional”.
“Essa decisão é definitiva e juridicamente vinculativa tanto para a China quanto para as Filipinas”, destacou Pigott, de acordo com um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. “Continuaremos apoiando nossos aliados e parceiros na defesa de um Indo-Pacífico livre e aberto”, acrescentou.
PEQUIM ACUSA WASHINGTON DE “FOMENTAR A TENSÃO”
A Embaixada da China nas Filipinas reagiu imediatamente às declarações de Pigott e rejeitou “firmemente” as “acusações infundadas” de Washington, antes de insistir que foi a parte filipina que provocou o incidente.
“Todos os fatos e evidências demonstram que as Filipinas foram as primeiras a cometer infrações e provocações, o que as torna culpadas pelos perigos marítimos e a parte responsável por minar a estabilidade regional”, argumentou em um comunicado nas redes sociais.
“Os Estados Unidos não são parte da questão em torno do Mar da China Meridional, mas tentam por todos os meios alimentar a tensão na região, semeando a discórdia e exacerbando as tensões, minando assim os esforços conjuntos dos países da região para administrar as divergências marítimas”, lamentou.
A Embaixada da China exigiu, portanto, que Washington “ponha fim imediatamente às suas difamações e críticas maliciosas contra as ações legítimas e legais da China em matéria de proteção de direitos e aplicação da lei”.
“A China defenderá firmemente sua soberania territorial e seus direitos e interesses marítimos, e se aterá à resolução pacífica das disputas marítimas por meio de negociação e consulta entre as partes diretamente envolvidas”, destacou, antes de ressaltar que “qualquer ameaça ou provocação é inútil e jamais terá sucesso”.
A China reivindica a maior parte das águas da região, por considerar que fazem parte de seu território, uma vez que se encontram dentro da chamada “linha dos nove pontos” que aparece nos mapas do gigante asiático, uma linha traçada pelo governo chinês que reivindica como seu o Mar da China Meridional, incluindo as ilhas Paracel e Spratly.
As relações entre a China e as Filipinas continuam, portanto, tensas. Manila acusou Pequim de obstruir suas missões de abastecimento de tropas dentro do que considera sua zona econômica exclusiva, enquanto a China insiste que os navios filipinos transitam por essas águas de forma ilegal.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático