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MADRID 21 jan. (EUROPA PRESS) - O Chega, partido de extrema direita de Portugal, insistiu nesta quarta-feira ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que ele deve revelar quem apoiará no segundo turno das eleições presidenciais, depois que seu candidato, André Ventura, menosprezou sua figura política durante a campanha.
Ao longo da sessão desta quarta-feira na Assembleia Nacional, que retomou a atividade política após a pausa para as eleições presidenciais do último domingo, o Chega exigiu que Montenegro se posicionasse publicamente e anunciasse aos portugueses “se estará do lado do socialismo ou daqueles que o combatem”.
“Não podemos permanecer neutros”, disse o líder da bancada do Chega, Pedro Pinto, que desafiou Montenegro a declarar, “nesta oportunidade única”, seu apoio a Ventura ou ao vencedor do primeiro turno, o socialista António José Seguro, que se impôs com 31% dos votos.
Montenegro respondeu lembrando que foram o Chega e o Partido Socialista que se uniram para derrubar o governo em 2024 e limitou-se a indicar que respeitarão o resultado das eleições, tal como fizeram quando os eleitores confiaram neles para governar o país.
Foi seu companheiro de partido, o líder da bancada social-democrata, Hugo Soares, que se encarregou de entrar em confronto com Pinto, a quem lembrou todas e cada uma das vezes que Ventura desprezou a presença de Montenegro na campanha do candidato do PSD, Luís Marques Mendes.
Assim, depois de lembrar que Ventura chegou a “mandar Montenegro para o inferno”, Soares ironizou que agora ele insiste em obter o apoio do primeiro-ministro, que já anunciou na noite eleitoral, após saber que Ventura e Seguro iriam para o segundo turno, que não pediria votos para nenhum dos dois.
“Foi isso que André Ventura disse ao país sobre o primeiro-ministro e agora pedem-lhe que apoie a candidatura de André Ventura?”, questionou Soares. “Parece que já não há medo de Montenegro entrar na campanha, no final até seria conveniente o apoio do primeiro-ministro”, ironizou.
Este interesse do Chega contrasta também com as declarações de Ventura na véspera, nas quais ele desprezou o apoio que algumas figuras políticas da direita já haviam comprometido a Seguro no segundo turno. “Fico estupefato com o apoio que chega agora todos os dias de pessoas que não se sabe quem são”, disse ele.
Seguro venceu no domingo passado com 31% dos votos nas eleições presidenciais mais disputadas das últimas quatro décadas, à frente de Ventura, que ficou com 23% dos votos. No dia 8 de fevereiro, será realizado um segundo turno inédito, que não ocorria desde 1986.
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