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MADRID 17 ago. (EUROPA PRESS) -
A chefe da delegação da oposição no diálogo com o Executivo venezuelano, Dinorah Figuera, exigiu neste domingo “clareza” nos números oficiais de pessoas libertadas, ao mesmo tempo em que ressaltou que, em um país que “avança rumo à transição democrática”, não deve haver presos políticos.
“É urgente haver clareza em relação aos números oficiais, em contraste com o que foi verificado pelas organizações de direitos humanos que acompanham o processo”, reivindicou Figuera em uma mensagem nas redes sociais, na qual afirmou estar “atenta” e a envidar “esforços” para que “as libertações ocorram”.
Nesse sentido, a chefe de negociações em representação do Parlamento paralelo da oposição, constituído em 2015, classificou como “grande demanda nacional” que “todos os presos políticos sejam libertados e que essa libertação seja total”.
As palavras de Figuera surgem um dia depois de a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter estimado em 1.406 o número de presos políticos libertados desde a intervenção dos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro — data em que o presidente Nicolás Maduro foi capturado —, dado que coincide com os fornecidos pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Trata-se da primeira declaração da presidente interina sobre o número alcançado no âmbito do projeto de lei de anistia, o chamado Programa para a Paz e a Convivência Democrática, que surge após o recente anúncio, por parte das autoridades venezuelanas, da libertação de 131 pessoas que, até alguns dias atrás, estavam presas por motivos políticos e ideológicos.
No entanto, a ONG Foro Penal reduziu, neste domingo, o número oficial para 78 libertações comprovadas, contra as mais de 130 anunciadas pelos canais governamentais.
Situação semelhante ocorreu com o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela, que neste sábado denunciou que “libertar não significa sempre soltar”, afirmando que, de forma independente, só conseguiu verificar 70 libertações.
“Desde janeiro, repete-se o mesmo padrão: são anunciados números que, no momento da divulgação, não podem ser comprovados de forma independente. Exigimos a publicação dos nomes, dos documentos de libertação e da situação jurídica de cada pessoa, bem como o acesso de organizações independentes a todos os centros de detenção”, exigiu o comitê em um comunicado.
Em relação à referida libertação anunciada por Miraflores, Figuera afirmou, na ocasião, receber “com esperança pelo reencontro das famílias venezuelanas” a “informação sobre as libertações”. No entanto, acrescentou que “não são todos”, por isso pediu que se continuasse “exigindo incansavelmente” as libertações “até que cada cidadão se reencontre com sua família”.
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