Marcos Moreno - Europa Press
Triano afirma que pediu a renúncia dele e insiste que não sabia de nada sobre as mensagens com os serviços de inteligência
CEUTA/MADRID, 11 set. (EUROPA PRESS) -
O ex-chefe de gabinete do delegado do Governo em Ceuta, Gonzalo Sanz, afirmou que de fato transmitiu “pessoalmente” a Miguel Ángel Pérez Triano as mensagens do WhatsApp enviadas pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) em 29 de julho, um dia antes da entrada em massa de pessoas vindas de Marrocos.
Em uma carta de renúncia enviada por e-mail nesta quinta-feira, 10 de setembro, à Secretaria-Geral da instituição, à qual a Europa Press teve acesso, Sanz apresenta uma versão que contrasta com a defendida pelo delegado do Governo na cidade autônoma e destaca que a decisão de renunciar se deve a motivos “pessoais e familiares”, mas também à discrepância existente entre sua versão dos fatos e as declarações públicas de Triano.
Mais especificamente, o ex-assessor aponta que existe uma “evidente incompatibilidade” entre sua afirmação de que comunicou pessoalmente a Triano as informações por escrito recebidas do CNI em 29 de julho e as declarações do delegado, nas quais este assegurou não ter tido conhecimento dessas mensagens.
O DELEGADO MANTER A SUA POSIÇÃO E AFIRMA QUE SOLICITOU A RENÚNCIA
Nesse contexto, a Delegação do Governo em Ceuta confirmou que foi Triano quem solicitou a renúncia de seu chefe de gabinete e sustentou que o responsável pela instituição não sabia de nada sobre as conversas com o CNI.
Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, após a confirmação da renúncia de Sanz, a instituição remeteu-se às declarações feitas por Triano na coletiva de imprensa do último dia 9 de setembro e insistiu que o delegado não tinha conhecimento, antes de 30 de julho, do conteúdo da mensagem do ‘WhatsApp’ trocada entre Sanz e um membro do CNI, nem da ligação telefônica que ambos mantiveram.
A Delegação sustenta ainda que a mensagem enviada pelo CNI fazia referência a movimentos detectados nas redes sociais que promoviam uma entrada irregular em Ceuta, coincidindo com a Festa do Trono, e que a comunicação fornecia apenas o número de seguidores dos grupos identificados.
Segundo a instituição, o CNI não fez uma estimativa do número de pessoas que poderiam vir a se mobilizar nem avaliou a possibilidade de que a convocação acabasse se concretizando. A informação teria se limitado, segundo a Delegação, a descrever o tamanho dos grupos detectados.
Por outro lado, a Delegação do Governo defendeu que, desde o início do registro dos picos migratórios, transmitiu essa situação aos ministérios competentes para solicitar a adoção de medidas diante da pressão migratória que Ceuta estava enfrentando.
Entre as ações citadas estão o reforço do Serviço Marítimo da Guarda Civil, o deslocamento de unidades da USECIC para a fronteira, a solicitação de uma unidade do GRS e a mobilização de uma unidade da UIP para tarefas de segurança pública.
Além disso, foi destacado que foram iniciados os trâmites para a criação, em Ceuta, de um Centro de Atendimento Temporário a Estrangeiros (CATE).
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