DAVID ZORRAKINO - EUROPA PRESS
A unidade está "constantemente" sendo equipada com tecnologia e planeja incorporar um cão operacional.
SABADELL (BARCELONA), 21 (EUROPA PRESS)
O chefe do Grup Especial d'Intervenció (GEI) dos Mossos d'Esquadra - sem mencionar seu nome para preservar seu anonimato - garantiu que a presença de armas de fogo em operações policiais contra redes criminosas, como assaltos e arrombamentos de casas com prisões perigosas, aumentou nos últimos cinco anos: "A ameaça está se tornando cada vez maior".
Foi o que ele explicou em uma entrevista à Europa Press no Complexo Central Egara da polícia catalã, localizado em Sabadell (Barcelona), onde os 48 membros dessa unidade treinam, preparam e projetam as diversas operações das quais participam quando são solicitados.
Apesar de detectar esse aumento exponencial de armas de fogo, ele indica que isso não deve ser traduzido em um "sinal de alerta", pois garante que os agentes estão cada vez mais treinados e preparados para lidar com isso.
De fato, até agora, em 2025, o GEI foi solicitado em 90 ocasiões (185 em 2024), das quais 37% foram para a proteção de atos e medidas preventivas, 45% para entradas e prisões perigosas e 8% para a transferência e proteção de pessoas importantes.
PLANTAÇÕES DE MACONHA
"Antes, não era tão comum vê-los em uma busca em uma plantação de maconha", diz o líder do GEI, que ressalta que o grupo que lidera, como uma unidade de elite preparada para lidar com esse tipo de operação, só é ativado quando há indicadores de risco devido à possível presença de armas de fogo ou quando a situação é altamente perigosa.
Às vezes, essas redes guardam a mercadoria da droga com armas de fogo para repelir possíveis intervenções policiais e também "capotamentos" de outras quadrilhas que tentam roubá-la: "É um jogo de três vias. Os criminosos, quando detectam qualquer movimento, como já aconteceu em algumas ocasiões, atiram pensando que são grupos rivais e que é a polícia".
MATERIAL, ESTRATÉGIAS E RECURSOS
Membro da unidade desde 1994, ele explica que, quando o GEI foi criado em 1990, com o objetivo de estar operacional para os Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, o equipamento era "bastante precário, muito rudimentar", mas quando ele entrou para o grupo, houve uma certa evolução que permitiu alguns avanços.
"Ao longo dos anos, tudo caminhou lado a lado com a evolução do crime. Isso nos obrigou a reestruturar nossos métodos de trabalho e a adquirir recursos mais adequados para lidar com essas situações", explica.
Nesse sentido, ele defende a ideia de "nos equiparmos tecnologicamente", razão pela qual o GEI conta com um apoio significativo em termos de drones, fibra óptica e até mesmo Inteligência Artificial (IA) para projetar e estruturar operações específicas.
Por esse motivo, dentro da mesma unidade há uma equipe de "instrutores" que busca constantemente desenvolver novas técnicas e pesquisar no mercado novos avanços tecnológicos para incorporar à linha operacional.
Eles já estão trabalhando com drones táticos, meios hidráulicos, câmeras de visão noturna e térmicas, e também estão estudando a incorporação de novas câmeras individuais para poder gravar e ter uma visão tática das intervenções, bem como um cão operacional para ajudá-los em suas ações.
Além dos avanços tecnológicos, o GEI também trabalha com outras áreas dos Mossos, como a Unidade Canina, o TEDAX, a Brigada Móvel (Brimo), a Área Regional de Recursos Operacionais (Arro), a Unidade de Drones e a Unidade de Recursos Aéreos: "Eles nos oferecem um apoio operacional muito importante", explica.
TENSÃO NAS OPERAÇÕES
Quando perguntado sobre como sua equipe gerencia a tensão em operações em que pode haver troca de tiros, o chefe do GEI indica que há diferentes maneiras de "neutralizar a ameaça", pois há momentos em que eles têm tempo para avaliar, negociar e evitar o confronto direto, mas há momentos em que a resposta tem que ser diferente.
"Nós não matamos, não é nossa vontade. O que queremos fazer é neutralizar a ameaça, proteger a área e garantir a segurança do meio ambiente", enfatiza.
INTERVENÇÕES DE DESTAQUE
Em relação às intervenções que mais o marcaram, o chefe da unidade lembra a operação contra o 'Pistolero de Tarragona', que se barricou em um prédio da cidade e atirou em vários mossos, causando ferimentos em alguns deles, já que, como ele explica, foi a primeira vez que enfrentaram uma ameaça direta com uma arma de fogo e um tiroteio.
Além disso, ele aponta entrincheiramentos como o de Les Lloses, em junho de 2023, ou o de Calldetenes (Girona), em julho passado: "Qualquer intervenção em que você seja forçado a usar uma arma de fogo está lá", lembra o chefe do GEI, que acrescenta que, após ações desse calibre, ele se reúne com seus agentes em uma análise pós-operacional (APO).
Ele também relembra a operação para capturar Manuel Brito e Francisco Javier Picatoste, dois detentos da prisão de Ponent (Lleida) que, em sua fuga em outubro de 2001, assassinaram um jovem, estupraram sua namorada e atiraram em um estagiário do mosso d'Esquadra, deixando-o paralisado.
COMPARAÇÃO COM O GEO
Com relação a outras unidades de elite, como o GEO da Polícia Nacional ou o GSG9 da Alemanha, o mosso afirma que, em termos de competência, é a mesma coisa, já que eles desempenham praticamente as mesmas funções, mas provavelmente têm mais recursos porque cobrem um território maior que o da Catalunha.
De qualquer forma, ele valoriza o profissionalismo da unidade, que também participa de conferências em outros países europeus para compartilhar conhecimentos e estratégias: "Devemos estar fazendo algo certo quando nos pedem no exterior a metodologia que estamos aplicando aqui", diz ele.
Por fim, o líder do GEI enfatiza a filosofia de "trabalhar em conjunto e ter a mesma ideia de trabalho" dentro da unidade, já que, por ser um grupo pequeno, ele acredita que é essencial que alguns se adaptem aos outros para que possam coexistir e ser o mais eficazes possível.
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