Publicado 23/04/2026 06:18

O chefe do Departamento de Direitos Humanos da ONU pede ao México que intensifique os esforços e não politize a busca por pessoas de

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, discursa durante uma coletiva de imprensa realizada no âmbito de sua visita de trabalho ao México, no Centro Cultural Espanha-México, em 22 de abril de 2026, na Cidade do México, M
Europa Press/Contacto/Luis Barron

MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, destacou que as autoridades do México devem continuar reforçando os mecanismos de busca de pessoas desaparecidas, ao mesmo tempo em que pediu à classe política que não “polarize nem politize” essa questão.

Em uma coletiva de imprensa ao final de sua visita de trabalho ao México, Turk fez um balanço da situação do país, enfatizando questões como o crime organizado, a violência contra jornalistas e ativistas e a busca por pessoas desaparecidas. Assim, ele insistiu que o México possui um marco jurídico e institucional “de grande potencial” e elogiou sua lei sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas como uma “referência internacional”.

No entanto, ele destacou que é “fundamental” que o Estado “continue reforçando os mecanismos de busca, os processos de identificação forense, as medidas de proteção e as capacidades de investigação para enfrentar essa crise”.

O representante da ONU reconheceu a “vontade política” de continuar fortalecendo as instituições existentes nessa área e a adoção de um protocolo nacional de busca atualizado. “Representa um passo importante”, avaliou, embora tenha enfatizado que as decisões em nível federal devem, posteriormente, ser transferidas “de forma efetiva” para o nível local.

“Constatei um consenso social de que a questão dos desaparecimentos é uma tragédia contra a qual é preciso lutar. Precisamos de um compromisso nacional que vá além de posições políticas ou do mandato de um governo, para que possa haver um processo de verdade, de reconhecimento da dor e do trabalho das pessoas que buscam os desaparecidos, de transparência e de um compromisso firme do Estado”, destacou.

Turk fez assim um apelo para que o esforço em relação à busca e identificação de desaparecidos “não seja politizado, não seja polarizado e coloque as vítimas no centro”.

VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS E ATIVISTAS

No mesmo evento, o chefe de Direitos Humanos da ONU destacou o desafio que representa no México a violência contra jornalistas e defensores dos direitos humanos. “Não cessa”, advertiu, para ressaltar que “as defensoras e as repórteres enfrentam riscos agravados, especialmente quando questionam o crime organizado, a corrupção ou a violência de gênero”.

Da mesma forma, destacou o “preço inimaginável” que pagam os ativistas de povos indígenas, ambientais ou da comunidade LGTBI por defenderem seus direitos. De qualquer forma, destacou o Mecanismo de Proteção para Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas, implementado pelas autoridades mexicanas, como um modelo “muito relevante” e “uma referência regional”, por incorporar ativamente a sociedade civil e permitir o acesso àqueles que dele necessitam.

“Conversei com a procuradora-geral da República e concordamos que é preciso aumentar a capacidade de investigação após qualquer ataque a defensores e jornalistas. Espero que o protocolo de investigação para crimes contra defensores dos direitos humanos seja adotado e implementado o mais rápido possível”, sublinhou.

Sobre a violência e o crime organizado, Turk destacou as tentativas das autoridades de combater esse flagelo por meio de um programa de recolhimento de armas, que, evidentemente, “se mostra insuficiente diante do torrente de armamento que entra diariamente no país”.

"Reconheço este e outros esforços realizados pelas autoridades para combater a violência e fortalecer as instituições de segurança, no âmbito de um sistema federal complexo e descentralizado, com altos níveis de corrupção e fragilidade institucional", indicou, ressaltando que as estratégias de segurança continuem avançando no sentido do "fortalecimento das instituições civis e profissionais".

Assim, sobre a impunidade e a falta de prestação de contas, ele insistiu que isso se tornou uma reivindicação social no México, pelo que pediu que “acabe a impunidade, seja feita justiça pelos crimes cometidos e haja processos eficazes de prestação de contas que incluam o reconhecimento da dor sofrida, a reparação e as garantias de não repetição”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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