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MADRID 11 jun. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, denunciou nesta quinta-feira a “instrumentalização” dos ataques registrados no Reino Unido por agressores estrangeiros para “incitar o ódio e a violência” contra minorias étnicas.
“Estou consternado com a violência que eclodiu em diferentes partes do Reino Unido nos últimos dias, após um ataque brutal em Belfast na segunda-feira e a divulgação de imagens de câmeras corporais relacionadas ao ataque ocorrido em Southampton em dezembro de 2025”, afirmou Turk sobre os ataques registrados, após a indignação gerada pela tentativa de decapitação em Belfast por um sudanês de 30 anos nesta segunda-feira, episódio que provocou protestos racistas que culminaram em graves distúrbios nas duas últimas noites.
O responsável pelo escritório de Direitos Humanos da ONU expressa sua “profunda solidariedade com todas as vítimas, bem como com suas famílias e comunidades” e insiste que a prestação de contas é “fundamental”.
De qualquer forma, ele denuncia que, após esses ataques que abalaram a opinião pública, há “diversos atores” que “instrumentalizaram esses ataques e promoveram discursos divisivos contra comunidades com base na raça e na etnia para incitar o ódio e a violência”.
“A busca por bodes expiatórios e a desumanização são totalmente inaceitáveis. A violência contra as pessoas, a queima de casas, os danos à propriedade e a intimidação dirigida contra esses grupos são deploráveis”, condenou.
Nesse sentido, Turk aponta para a responsabilidade de “políticos e líderes” de “se absterem de promover discursos que alimentem as tensões ou estigmatizem as comunidades”. “Os provedores de plataformas de redes sociais também devem levar a sério suas próprias responsabilidades em matéria de Direitos Humanos no que diz respeito ao discurso de ódio e à incitação à violência”, enfatizou.
Os incidentes racistas surgiram após o ataque com arma branca por um sudanês de 30 anos, identificado como Hadi Alodid, que atacou Steven Ogilvy, britânico de cerca de 40 anos e funcionário do serviço público de saúde (NHS), na última segunda-feira, em uma agressão violenta cuja gravação se tornou um vídeo viral no Reino Unido, gerando indignação generalizada.
Este caso se soma ao do jovem britânico-polonês Henry Nowak, que morreu em dezembro de 2025 após ser esfaqueado com uma faca shastar — um tipo de arma usada em cerimônias sikhs — por Vickrum Digwa, que foi condenado à prisão perpétua pelo caso. O caso ganhou destaque após a divulgação do vídeo de uma câmera policial em que se vê a vítima algemada e agonizando no chão após a briga, horas antes de falecer devido aos ferimentos causados pela arma branca.
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