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MADRID 7 set. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, instou nesta segunda-feira a comunidade internacional a proibir “com urgência” o uso de armas autônomas capazes de lançar ataques sem a intervenção de seres humanos, após um ataque russo na região ucraniana de Zaporizhia que deixou três mortos por esse tipo de armamento.
“Fico horrorizado com as notícias de que drones totalmente autônomos lançados pela Rússia mataram três ucranianos no mês passado. Segundo relatos, a Ucrânia também testou esse tipo de arma em campo. Junto-me aos apelos para proibir urgentemente as armas capazes de ceifar vidas humanas sem intervenção humana”, afirmou durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU na cidade suíça de Genebra.
O jornal “The New York Times” informou que um drone russo autônomo pilotado por Inteligência Artificial (IA) perpetrou um ataque em Zaporizhia no último dia 6 de julho, que resultou na morte de três civis. O suposto alvo era um posto de gasolina, embora o aparelho tenha acabado atacando tanques de propano.
O ataque ocorreu em meio à guerra “em grande escala” da Rússia contra a Ucrânia, que entrou em seu quinto ano e, segundo Turk, “continua em uma trajetória alarmante, marcada por um aumento drástico de vítimas civis e uma intensificação dos ataques contra a infraestrutura energética”.
“Embora a imensa maioria dos civis mortos seja ucraniana, também se registram números crescentes de mortos e feridos na Rússia”, afirmou ele, instando as partes a por fim a essa “loucura” por meio de negociações de paz que respeitem a Carta das Nações Unidas.
Turk alertou que atualmente há mais de 60 guerras em andamento no mundo nas quais pelo menos um Estado está envolvido, o que representa “o número mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial”. “O aumento dos conflitos entre Estados nos leva a um terreno especialmente perigoso”, disse ele.
Assim, ele manifestou perante o Conselho sua preocupação com a retomada dos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, uma situação que afeta toda a região do Golfo e, especialmente, a população civil, à luz do recente ataque durante um casamento na província iraniana de Hormozgán, que deixou mortos e feridos.
“As repercussões geopolíticas e econômicas dessa crise, totalmente evitável, voltam a ser sentidas em todo o mundo; por isso, faço um apelo para que as negociações sejam retomadas imediatamente”, declarou o chefe de Direitos Humanos da ONU.
Com relação à situação na Faixa de Gaza, ele lembrou que os ataques israelenses já causaram mais de 1.300 mortes de palestinos em ataques diários no enclave, apesar do cessar-fogo anunciado há quase um ano, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.
“A entrada de ajuda humanitária continua sendo restringida. Fico horrorizado com as propostas israelenses de expulsão forçada de todos os palestinos da Faixa de Gaza, bem como com o fluxo constante de retórica desumanizante por parte de alguns altos funcionários. Além disso, me preocupa que grupos armados afiliados ao Hamas tenham executado e torturado vários palestinos sob a acusação de colaboração”, argumentou.
Além disso, Turk destacou que a “anexação” do Território Palestino Ocupado por Israel “avança sem obstáculos”, apesar das resoluções da Corte Internacional de Justiça (CIJ). “O que mais é necessário para que os Estados ajam e impeçam que a ocupação se consolide nos territórios destinados aos palestinos no âmbito da solução de dois Estados?”, questionou.
Nesse sentido, ele instou os Estados a porem fim à transferência de armamentos para Israel, diante do risco de que tais armas sejam utilizadas para violar o Direito Internacional. “As empresas devem abandonar as práticas comerciais que apoiam os assentamentos ilegais”, ressaltou.
Turk instou Israel a cessar seus ataques contra infraestrutura civil e civis no sul do Líbano. “Meu escritório está investigando violações cometidas tanto por Israel quanto pelo Hezbollah desde 2 de março; isso é fundamental para esclarecer a verdade e garantir a prestação de contas”, destacou.
O chefe de Direitos Humanos da ONU também instou as partes no Sudão do Sul e no Iêmen a “agir com moderação” diante da escalada das hostilidades, ao mesmo tempo em que denunciou que a população civil etíope está sofrendo as consequências dos recentes ataques em Amhara e Oromía, bem como das tensões renovadas na região de Tigray.
Da mesma forma, ele lembrou que a guerra no Sudão entra em seu quarto ano e está se “alastrando”, com ataques das partes em conflito contra mercados, hospitais, postos de gasolina e outras infraestruturas civis.
“Exorto o Conselho a se concentrar na deterioração da situação em Kordofão, no Nilo Azul e em Darfur do Norte e do Oeste, onde a população civil corre risco iminente. Mais uma vez, é necessário um cessar-fogo imediato, o fim da interferência estrangeira e o retorno a um governo civil inclusivo”, afirmou.
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