Publicado 16/09/2025 06:48

O chefe de direitos humanos da ONU diz que o bombardeio de Israel no Catar foi "um ataque à paz regional".

GENEBRA, 10 de setembro de 2025 -- O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Volker Turk, discursa na 60ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, Suíça, em 9 de setembro de 2025. A China está pronta
Europa Press/Contacto/Lian Yi

Turk enfatiza que o ataque israelense a Doha foi "uma violação ultrajante do direito internacional".

Ele diz que o ataque ocorreu "simultaneamente" com outras ações que "destroem" a viabilidade da solução de dois Estados.

MADRID, 16 set. (EUROPA PRESS) -

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse nesta terça-feira que o bombardeio de Israel contra uma delegação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) no Catar, na semana passada, foi "um ataque à paz regional" e "uma escandalosa violação do direito internacional".

"O bombardeio de Israel contra os negociadores em Doha, em 9 de setembro, foi uma violação escandalosa do direito internacional, um ataque à paz e à estabilidade regional e um golpe na integridade dos processos de mediação e negociação em todo o mundo", disse Turk durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU para tratar do ataque.

"Como tal, eu o condeno e convido todos neste conselho e todos os governos a fazerem o mesmo", disse ele, antes de lembrar que o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia dito que o atentado - que matou cinco membros do Hamas e um membro das forças de segurança do Catar - foi "uma violação flagrante da soberania e da integridade territorial do Catar".

Ele disse que o ataque israelense "violou o direito à vida consagrado na lei internacional de direitos humanos, bem como os princípios da lei humanitária internacional", enquanto argumentava que "alvejar partes envolvidas em mediação apoiada internacionalmente em seu território prejudica o papel fundamental do Catar como facilitador e mediador da paz".

"É um ataque aos esforços globais para resolver conflitos pacificamente. Peço a este Conselho que reafirme a importância central dos processos de mediação e que exija a responsabilização pelos assassinatos", disse Turk, que argumentou que "a lei existe para defender os valores centrais das sociedades e do mundo".

Nesse sentido, ele lembrou que "as regras de guerra, que regem todas as partes em um conflito armado, foram acordadas há décadas e para o bem comum". "De acordo com essas regras, a distinção entre alvos civis e militares é fundamental. Um ataque nunca deve ter como alvo civis que não estejam diretamente envolvidos nas hostilidades", acrescentou.

Turk enfatizou que "o objetivo principal das regras de guerra é minimizar o uso da força armada e evitar e minimizar o sofrimento dos civis". "Quando os países as ignoram, eles prejudicam a proteção dos civis em todos os lugares", disse ele.

DESTRUINDO A VIABILIDADE DA SOLUÇÃO DE DOIS ESTADOS

Ele enfatizou que, no caso específico do bombardeio de Doha por Israel, "a delegação do Hamas estava no Catar para negociar um cessar-fogo, que é um passo vital para a paz". "É uma paz que é desesperadamente necessária em Gaza, na Cisjordânia ocupada, no Líbano, na Síria, no Iêmen e em toda a região", explicou.

O chefe de direitos humanos da ONU também observou que o ataque israelense "ocorreu simultaneamente a outras ações que estão destruindo qualquer perspectiva de uma solução de dois Estados, o único caminho para uma paz sustentável".

"No mesmo dia do ataque, Israel anunciou uma nova fase de sua ofensiva contra Gaza, com uma ordem de deslocamento para que quase um milhão de pessoas deixem a Cidade de Gaza, sem as garantias necessárias para sua segurança", disse ele, no que descreveu como "outra violação flagrante do direito humanitário internacional".

"Enquanto os funerais dos mortos em Doha aconteciam, o governo israelense assinou formalmente o chamado projeto E1 perto de Jerusalém Oriental. O primeiro-ministro (de Israel, Benjamin Netanyahu) descreveu esse projeto como a materialização da promessa do governo de impedir a criação de um Estado palestino", disse ele.

Turk disse que "essa é a última de uma longa linha de ações ilegais no terreno que aproximam cada vez mais a situação de dois Estados do ponto de não retorno".

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"Nossos corações se partem pelos civis em Gaza, pelos reféns israelenses e seus entes queridos, por aqueles arbitrariamente detidos em prisões israelenses e suas famílias. Uma guerra sem lei significa um futuro de crueldade e sofrimento sem fim para os civis, tanto palestinos quanto israelenses", alertou.

Esse ataque demonstra a necessidade urgente de os Estados membros se mobilizarem", disse ele. "Poucos o fizeram. A ONU tem estado em campo o tempo todo, fornecendo ajuda e documentando violações, a um custo enorme. Centenas de nossos próprios colegas foram mortos", lamentou.

"Quase dois anos após os terríveis ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 e o subsequente aumento da violência, essa carnificina precisa acabar. Os Estados Membros não podem mais esperar. Eles têm a obrigação de tomar medidas concretas para acabar com as violações flagrantes do direito internacional, inclusive as citadas pela Corte Internacional de Justiça (CIJ)", argumentou.

Ele pediu para "interromper o fluxo de armas para Israel que correm o risco de violar as leis da guerra" e "aplicar pressão máxima para um cessar-fogo, a libertação de todos os reféns e detidos arbitrários e a entrada de ajuda humanitária suficiente em Gaza". "Eu os convido a fazer tudo o que puderem para apoiar o direito do povo palestino à autodeterminação", disse ele, antes de aplaudir aqueles que "lideram pelo exemplo".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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