Europa Press/Contacto/Hashem Zimmo
MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, denunciou nesta sexta-feira o “padrão implacável de mortes” perpetradas pelo Exército israelense contra palestinos na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo decretado há seis meses entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
“Nos últimos dez dias, palestinos continuaram morrendo e sendo feridos no que restou de suas casas, abrigos e barracas com famílias deslocadas, nas ruas, em veículos, em um centro médico e até mesmo em uma sala de aula”, afirmou ele, acrescentando que isso reflete uma “indiferença contínua em relação às vidas palestinas, facilitada por uma impunidade generalizada”.
Pelo menos 32 palestinos foram mortos pelas forças israelenses desde o início de abril, entre eles uma menina chamada Ritaj Rihan, que morreu no último dia 9 de abril atingida por tiros israelenses enquanto se encontrava em uma sala de aula improvisada dentro de um campo de deslocados em Beit Lahiya, no norte de Gaza.
Da mesma forma, destacou também a morte do jornalista da Al Jazeera Mohamed Washa — acusado pelo Exército de ser membro do Hamas, sem “evidências verificáveis de forma independente” — na cidade de Gaza por um drone israelense.
“O número de jornalistas e profissionais humanitários mortos em Gaza não tem precedentes e agrava ainda mais os danos à população civil, já que informar sobre a situação e responder às suas implicações humanitárias se torna uma atividade de alto risco”, denunciou Turk.
O Alto Comissário informou ainda que a circulação em Gaza se tornou uma armadilha mortal para os habitantes de Gaza. “Quase diariamente são registrados incidentes de palestinos mortos pelas forças israelenses enquanto caminhavam, dirigiam ou simplesmente estavam na rua”, afirmou.
No total, mais de 730 pessoas morreram em ataques aéreos, tiroteios e bombardeios diários, grande parte delas devido à sua aparente proximidade com a ‘linha amarela’ no leste de Gaza, para a qual os militares se retiraram na sequência do acordo de outubro entre o grupo islâmico e o governo israelense para aplicar a primeira fase da proposta dos Estados Unidos para o enclave palestino.
“Atacar civis que não participam diretamente das hostilidades é um crime de guerra, independentemente de sua proximidade com as linhas de implantação”, declarou ele, acrescentando que “os palestinos não têm um plano para sobreviver” e que “façam o que fizerem ou vão aonde forem, não contam com segurança nem proteção”.
Turk instou os países a empreenderem “ações concretas para pôr fim às contínuas violações do Direito Internacional por parte de Israel”, bem como a “garantir a prestação de contas pelos crimes cometidos e assegurar que os palestinos recuperem e reconstruam suas casas e sua comunidade”.
“Após dois anos e meio de crimes repetidos contra o Direito Internacional, cometidos com total impunidade, e a morte de dezenas de milhares de civis palestinos, a comunidade internacional deve ir além das palavras”, concluiu.
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