Publicado 14/08/2026 10:09

O CHA critica o Governo de Aragão pela “falta de coordenação” diante do incêndio em Las Peñas de Riglos

A secretária-geral do CHA, Verónica Villagrasa.
CHA

ZARAGOZA 14 ago. (EUROPA PRESS) -

A secretária-geral do CHA, Verónica Villagrasa, criticou nesta sexta-feira a “falta de coordenação” do governo regional diante do incêndio que começou na segunda-feira em Las Peñas de Riglos (Huesca), que já atingiu mais de 10.000 hectares e chegou a colocar em risco os mosteiros de San Juan de la Peña, obrigando à evacuação dos restos mortais dos primeiros reis de Aragão e de várias obras de arte para evitar que fossem consumidos pelas chamas.

“Diante de uma emergência dessa magnitude, precisamos de uma orientação clara, uma coordenação eficaz e todos os recursos disponíveis para proteger nosso território”, insistiu a vice-líder do CHA, que exigiu que o Executivo aragonês garanta “imediatamente” uma orientação “clara” e uma coordenação “eficaz” de todos os meios de combate ao incêndio.

Para a representante do partido aragonista, a dimensão “extraordinária” alcançada pelo incêndio está revelando “as deficiências do plano aragonês de prevenção e combate a incêndios florestais” e demonstrou sua preocupação com informações “que apontam para problemas de coordenação em alguns momentos e setores do dispositivo, algo que não havia ocorrido em outras intervenções”.

Villagrasa ressaltou que a emergência é “extraordinariamente complexa” e que as decisões no local cabem aos profissionais e responsáveis técnicos, recusando-se a “contribuir com ruídos ou questionamentos externos sobre decisões operacionais que podem responder a circunstâncias que desconhecemos”, mas deixou claro que eles têm, sim, a responsabilidade de exigir que o Governo de Aragão garanta “uma liderança clara e que todos os meios disponíveis trabalhem em perfeita coordenação”.

ALERTAS DOS TRABALHADORES

Da mesma forma, considerou “especialmente preocupante” que essa emergência ocorra após as repetidas advertências dos trabalhadores da Sarga e dos bombeiros florestais sobre as “deficiências” da operação aragonesa.

“O problema não surgiu com este incêndio. Quem trabalha protegendo nossas florestas vem denunciando há tempo a falta de pessoal, a insuficiência de recursos e condições de trabalho que dificultam a disponibilização do contingente de que Aragão precisa”, explicou Villagrasa.

A deputada do CHA também lembrou que os funcionários da SARGA mantêm uma greve por tempo indeterminado a partir de 18 de agosto e que seus representantes voltaram a alertar nos últimos dias que o contingente está “insuficiente”, exigindo um aumento significativo do número de efetivos.

“Quando aqueles que conhecem nossas florestas, trabalham no terreno e arriscam sua própria segurança vêm alertando há algum tempo sobre a falta de recursos, um governo responsável tem a obrigação de ouvi-los. O que estamos vivendo demonstra que Aragão precisa de uma operação florestal com capacidade suficiente durante todo o ano e preparada para enfrentar emergências cada vez mais complexas”, afirmou.

Ele atribuiu justamente a essa “falta de meios próprios” a necessidade de incorporar numerosos recursos de outras administrações, como a Unidade Militar de Emergências (UME), efetivos vindos de outras comunidades autônomas ou da França.

“TENSÕES” ENTRE PP E VOX

A CHA também manifestou sua preocupação com “as tensões existentes” entre o PP e o Vox no seio do Governo de Aragão, especialmente quando ambos os partidos têm responsabilidades em áreas diretamente relacionadas à gestão desta emergência.

“Não vamos especular nem transformar informações parciais em acusações que não possamos comprovar. Mas exigimos que o PP e o Vox deixem de lado imediatamente quaisquer divergências políticas e garantam que não haja a menor interferência partidária na gestão do incêndio”, destacou.

Para a secretária-geral da CHA, “em uma emergência dessas características, não pode haver espaço para disputas internas, ordens contraditórias por motivos políticos nem disputas sobre competências. Só pode haver um objetivo: proteger as pessoas, as cidades e nosso patrimônio natural e histórico, seguindo exclusivamente critérios técnicos”.

A deputada do CHA considerou que, uma vez controlada a emergência, será necessário analisar em profundidade a dimensão da operação florestal aragonesa, as denúncias feitas ao longo dos anos por seus trabalhadores e as decisões adotadas durante este incêndio.

UM DOS LOCAIS FUNDAMENTAIS PARA A HISTÓRIA DE ARAGÃO

Por outro lado, ela destacou que a chegada do fogo a San Juan de la Peña evidencia a extraordinária gravidade atingida pelo incêndio, já que as chamas atravessaram os arredores do Mosteiro Velho e foi necessário evacuar com urgência inúmeros bens históricos, incluindo os restos mortais conservados no Panteão Real.

“Hoje vimos como o fogo atingiu um dos locais fundamentais da nossa história e da nossa identidade coletiva. Mas por trás de cada hectare queimado há também vilarejos, pessoas, propriedades rurais, patrimônio natural e modos de vida que temos a obrigação de proteger”, destacou Villagrasa.

Por fim, agradeceu expressamente o trabalho dos bombeiros florestais, dos agentes de proteção ambiental, dos funcionários da SARGA, da UME, dos serviços de emergência, das forças e corpos de segurança e de todos os profissionais mobilizados.

“Agora, a prioridade absoluta é conter o incêndio e proteger as pessoas. Haverá tempo para reconstruir com rigor o que aconteceu, analisar as decisões tomadas e exigir as responsabilidades políticas cabíveis. Enquanto isso, exigimos que o Governo de Aragão garanta todos os meios necessários, uma orientação clara e uma coordenação eficaz e exclusivamente técnica”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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