MELILLA 23 ago. (EUROPA PRESS) -
O sindicato CGT convocou uma greve dos trabalhadores do Centro de Acolhimento de Menores (CAM) La Purísima, em Melilla, de 3 a 6 de setembro, em plena crise migratória e após a chegada de mais de 1.300 migrantes desde o final de julho, na sequência das entradas em massa em Ceuta.
O Comitê de Empresa do centro, liderado pela CGT, denunciou publicamente uma situação de “colapso, superlotação e abandono institucional” que, em sua opinião, está levando novamente as instalações a cenários de superlotação semelhantes aos registrados em episódios anteriores de pressão migratória.
Após uma inspeção direta, os representantes dos trabalhadores afirmam ter constatado o retorno de situações de “superlotação” nos módulos e alertam que a equipe está “no limite” devido à falta de recursos humanos e materiais.
“Exigimos veementemente que não se ignore a verdade”, reivindicou o Comitê de Empresa, que considera “intolerável” que a realidade do centro seja dissimulada por meio de justificativas burocráticas. Na opinião deles, ocultar a gravidade da situação representa uma falta de respeito para com os menores acolhidos e para com os funcionários que trabalham no centro.
O sindicato sustenta que, nas condições atuais, é “materialmente impossível” prestar um serviço de qualidade, trabalhar em condições dignas e garantir a segurança tanto dos menores quanto dos profissionais.
UMA EQUIPE “SOBRECARREGADA”
O Comitê denunciou que o grande número de menores acolhidos fez com que os funcionários fossem obrigados a concentrar seus esforços em suprir as necessidades mais básicas, principalmente alimentação e alojamento, sem poderem desenvolver de forma adequada a atenção integral e o projeto pedagógico de que os menores necessitam.
“Não vamos tolerar que haja crianças de primeira e de segunda categoria, nem funcionários de primeira e de segunda categoria”, afirmou a representação dos trabalhadores, que reivindicou igualdade de condições e o cumprimento dos padrões de proteção estabelecidos para os menores.
Entre as principais reivindicações estão o reforço urgente dos recursos humanos e materiais, bem como a adoção de medidas que permitam lidar com o aumento da ocupação. O Comitê exige, além disso, que os limites contratuais não sejam utilizados como argumento para adiar soluções e lembra que, segundo afirma, em outros centros de menores da cidade foram implementadas soluções por meio de vontade política.
Os trabalhadores também expressaram sua preocupação com as condições sanitárias do centro e alertam para o risco de surgimento de surtos de doenças infecciosas, citando especificamente a sarna.
O Comitê considera especialmente preocupante que a Diretoria da Área da Infância e Adolescência não tenha estabelecido um protocolo específico para o período de verão, apesar de o número de admissões aumentar habitualmente nessas datas.
A situação, segundo a CGT, é “especialmente preocupante” no módulo de acolhimento inicial, onde denuncia que crianças de onze e doze anos convivem com jovens com idade próxima aos 18 anos. O sindicato afirmou ainda que as instalações não foram adaptadas ao volume atual de ocupação e que continuam faltando recursos materiais básicos, entre eles camas, colchões e roupas.
Diante dessa situação, o Comitê exigiu que seja permitida a participação de outras organizações não governamentais que possam fornecer recursos no local e contribuir para aliviar a pressão que o centro enfrenta atualmente.
Os representantes dos trabalhadores fizeram, por fim, um apelo à “unidade absoluta” da equipe em vista da greve e anunciaram que continuarão comparecendo nos diferentes turnos para registrar incidentes e acompanhar os trabalhadores que atuam na linha de frente. A greve está prevista para os dias 3 a 6 de setembro, de acordo com o comunicado registrado pela CGT.
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