Publicado 03/08/2026 03:04

Ceuta tenta voltar à normalidade com cautela, medo de sair de casa e lojas meio vazias após a crise migratória

Um bar de praia na praia do Chorrillo, neste domingo, 2 de agosto de 2026, em Ceuta.
Iván Zambrano - Europa Press

CEUTA 3 ago. (EUROPA PRESS) -

Os moradores de Ceuta tentam retomar a rotina normal em meio ao receio de sair às ruas, com restaurantes e praias mais vazios do que o habitual e uma calma que ainda não se instalou por completo, após a chegada em massa de migrantes registrada desde quinta-feira, justamente nos dias que seriam os primeiros da feira da cidade, que teve que ser cancelada.

“A praia está vazia e meu quiosque está meio cheio”, lamentou à Europa Press Virginia, responsável por um quiosque na Praia do Chorrillo, a apenas três minutos de carro da fronteira, e após destacar que, às 14h deste domingo, apenas 6 das 24 mesas de seu estabelecimento estavam ocupadas.

Ela destacou que as imagens recorrentes de migrantes usando os chuveiros em frente ao seu quiosque e algumas informações falsas que circulam nas redes sociais — como a de que a água está contaminada com doenças como a sarna — motivaram muitos moradores de Ceuta a ficarem em casa. “A temporada de verão foi arruinada”, concluiu.

Mais perto do centro, no porto marítimo, Eugenio e Vicky — os donos de um restaurante — destacaram a “queda brutal” no número de clientes nos últimos dias, já que conseguiram permanecer abertos durante os dias mais intensos da crise migratória porque seu estabelecimento está protegido por estar dentro de um recinto fechado.

“Chegaram muitos jornalistas de fora, porque éramos o único lugar aberto na região”, observou Eugenio, informando que vários clientes cancelaram suas reservas por “medo” e que, diante da previsão de que a situação demore a melhorar, ele não poderá renovar os contratos temporários de alguns funcionários.

A incerteza em relação à situação levará Teresa, proprietária de um salão de beleza em Ceuta, a trancar a porta do estabelecimento para atender apenas aos agendamentos, de modo que suas clientes não tenham medo ao entrar.

Ela fará isso, disse, porque o faturamento nos primeiros dias da chegada em massa de migrantes caiu drasticamente, entre outros motivos porque inúmeras clientes já não estavam mais indo para fazer penteados e cortes de cabelo para a feira de Ceuta, que deveria ter começado no último dia 1º de agosto.

“Os domingos em Ceuta costumam ser bem tranquilos, mas agora não há ninguém nem na praia nem nos parques: todo mundo está em casa, não tem jeito”, explicou a esta agência Cristina, mãe de dois filhos, enquanto observava seus pequenos brincando sozinhos em um parque da cidade.

Ela também destacou que a volta à normalidade está ocorrendo de forma gradual e desigual, dependendo das zonas da cidade. “No centro, a situação está bastante normalizada, exceto por algum grupo de cinco ou seis pessoas perto dos supermercados, mas Ceuta não é só o centro”, afirmou.

“EM 24 HORAS TUDO JÁ ESTAVA RESOLVIDO”

Embora os moradores de Ceuta tenham que esperar até 2027 para celebrar sua tradicional feira, a cidade começa a recuperar a normalidade com o recuo gradual dos migrantes de volta ao Marrocos, o reforço da segurança em pontos-chave da cidade, e alguma tensão nas manifestações realizadas nos últimos dias na central Praça dos Reis.

De fato, o governo de Ceuta confirmou a realização das cerimônias religiosas em homenagem à Virgem da África, previstas para os dias 4 e 5 de agosto, como uma procissão ou a tradicional oferenda floral à padroeira de Ceuta.

Essa percepção de retorno à normalidade é compartilhada por outros moradores, como Abdelkader, que destacou que “em 24 horas a questão já foi rapidamente resolvida” após a chegada do presidente do Governo, Pedro Sánchez, à cidade autônoma. “Você sabe, por telefone tudo se resolve rapidamente”, ironizou.

Por sua vez, Gabi, funcionária de uma cafeteria na Gran Vía de Ceuta, observou que, com exceção do dia mais crítico da crise, quinta-feira, quando tiveram que fechar o estabelecimento, nos demais dias o número de clientes não diferiu “excessivamente” do normal.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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