Europa Press/Contacto/Faisal Bashir
MADRID, 18 abr. (EUROPA PRESS) -
O cessar-fogo de duas semanas na guerra do Irã, acordado em 8 de abril entre Washington e Teerã, inicia seu segundo e último fim de semana em vigor com uma sensação mista de distensão e incerteza sobre a situação no estratégico estreito de Ormuz, epicentro do conflito, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu na sexta-feira manter seu bloqueio ao redor da zona.
O Irã respondeu que o estreito continua sob seu controle, que qualquer embarcação que queira atravessá-lo terá de receber permissão da Guarda Revolucionária por meio de uma rota estabelecida pelas autoridades iranianas e que, em termos gerais, o anúncio de Trump não altera em nada as condições iniciais do acordo.
Nas últimas horas, e de acordo com dados do provedor de análises marítimas MarineTraffic coletados pela rede pan-árabe Al Jazeera, um comboio de pelo menos quatro navios cruzou o estreito, entre eles transportadores de gás liquefeito de petróleo e vários petroleiros e cargueiros petroquímicos. Outro avanço: o anúncio feito nesta manhã pela Autoridade de Aviação Civil do Irã, que declarou a reabertura parcial do espaço aéreo e de vários aeroportos a partir das 07h00.
POSSÍVEIS CONVERSAS, POSSÍVEL RETORNO AO CONFLITO
Nas últimas horas, o presidente Trump deixou em aberto a possibilidade de estender o cessar-fogo para além das duas semanas acordadas, caso não se chegue a um entendimento com Teerã antes de quarta-feira. “Não sei. Talvez não o estenda, mas o bloqueio continuará em vigor”, afirmou Trump, apesar de o Irã ter alertado que tal decisão representa uma violação flagrante dos termos acordados.
Trump anunciou que uma delegação americana viajará no domingo a Islamabad para discutir a possibilidade de novas conversas com o Irã no dia seguinte, mas se o diálogo continuar a não satisfazê-lo, “teremos que começar a lançar bombas novamente”, advertiu.
Nesta sexta-feira, o poderoso chefe do Exército paquistanês, o marechal Asim Munir, concluiu uma visita de três dias ao Irã, onde se reuniu com os principais líderes e negociadores iranianos, entre eles o presidente do Parlamento, Mohamed Baqer Qalifab, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, como parte dos esforços para pôr fim à guerra.
A viagem de Munir representa, segundo o Exército do Paquistão, a instituição mais influente do país, a “determinação inabalável do Paquistão de facilitar uma solução negociada e promover a paz, a estabilidade e a prosperidade”.
CONDIÇÕES
De qualquer forma, a possível nova rodada de negociações no Paquistão parte com as mesmas dificuldades que a da semana passada. O Irã sustenta que tem todo o direito de prosseguir com um programa nuclear pacífico, chegou a exigir indenizações pelos danos materiais e humanos causados pelos bombardeios dos EUA e de Israel e, nas últimas horas, ressurgiu a questão dos bilhões de ativos iranianos atualmente congelados por Washington.
De fato, Trump teve que desmentir uma informação do site Axios que falava do desbloqueio de quase 17 bilhões de euros desses ativos em troca de Teerã renunciar às suas reservas de urânio enriquecido.
Alguns de seus apoiadores, incluindo o senador republicano Lindsey Graham, expressaram preocupação com a possibilidade de Trump aceitar um acordo semelhante ao que o ex-presidente Barack Obama assinou em 2015, quando o histórico acordo nuclear firmado com o Irã (do qual Trump se retirou em 2018, durante seu primeiro mandato) reintegrou a República Islâmica aos mercados internacionais.
“Tenho plena confiança de que o presidente Trump não permitirá que o Irã enriqueça urânio por dezenas de bilhões de dólares em troca de manter o mundo como refém e semear o caos na região”, publicou Graham na sexta-feira no X, antes de garantir, assim como fez o presidente, que “não haverá acordos semelhantes sob a Presidência de Trump”.
LÍBANO
Outro dos pontos mais cruciais na situação atual é outro cessar-fogo extremamente delicado, como o que o Líbano atravessa, pois o Irã condicionou sua cessação das hostilidades com os Estados Unidos à situação do conflito entre Israel e as milícias xiitas do Hezbollah, aliadas de Teerã.
A cessação das hostilidades parece se manter, apesar de o meio de comunicação libanês L'Orient le Jour ter informado que Israel bombardeou ontem à noite Marjayún, no sul do país, sem vítimas confirmadas até o momento, como parte da operação militar israelense para tomar a parte sul do país até o rio Litani, no que o Exército israelense descreveu como uma “zona tampão” da qual, por enquanto, não tem intenção de se retirar.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, confirmou nesta sexta-feira que solicitará a Israel a retirada de seu contingente militar do sul do país durante conversas diretas iniciadas com o governo israelense para resolver a crise atual.
Em uma declaração publicada nas redes sociais, Aoun pediu “uma única responsabilidade nacional” como forma de reivindicar o papel predominante do Estado em conversas que tratarão do desarmamento do Hezbollah como condição para alcançar a paz e que, por enquanto, são rejeitadas pelas milícias xiitas, pelo menos enquanto continuar a presença militar israelense no sul do país.
“As negociações diretas são precisas e detalhadas, e a responsabilidade nacional deve ser única na próxima etapa, pois os olhos do mundo estão voltados para o Líbano”, afirmou o presidente do Líbano.
Em sua mensagem, Aoun explicou as condições do governo libanês, começando pela consolidação do cessar-fogo que acaba de ter início, e seguindo com “a retirada das forças israelenses dos territórios ocupados do sul, o retorno dos prisioneiros e a resolução das disputas fronteiriças pendentes”.
O chefe de Estado libanês garante que conta, para isso, com o apoio de Donald Trump, conforme lhe foi transmitido pessoalmente na última quinta-feira por meio de uma conversa telefônica pelo presidente norte-americano, que defendeu, durante a ligação, a importância de “preservar a soberania, a independência e a integridade territorial do país”, nas palavras de Aoun.
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