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MADRID, 9 jul. (EUROPA PRESS) -
Cerca de trinta líderes políticos colombianos, principalmente da direita, criticaram o presidente Gustavo Petro e o ex-candidato do partido governista Iván Cepeda por sua “atitude abertamente antidemocrática” após colocarem em dúvida a vitória de Abelardo de la Espriella no segundo turno das eleições presidenciais de 21 de junho.
“Ambos começaram a questionar os resultados eleitorais, em uma atitude abertamente antidemocrática, colocando o país à beira de uma grave crise institucional”, diz a carta de três páginas que 27 líderes políticos enviaram à opinião pública.
Na carta, ex-ministros como José Antonio Ocampo, Juan Camilo Restrepo, Cecilia López e Alejandro Gaviria destacam que “as eleições de 21 de junho foram admiráveis” e que isso foi atestado pelas missões eleitorais internacionais, bem como por diversas instituições e governos estrangeiros.
Além disso, questionaram a ideia de “desobediência civil” que Cepeda vem defendendo nos últimos dias, “pois tenta desconsiderar a legitimidade do novo presidente, apesar de sua vitória eleitoral, por meio de um subterfúgio: sua dupla nacionalidade colombiana-americana” e pode “fomentar atos de violência”.
“As incitações à desobediência civil poderiam levar a graves perturbações sociais, tais como a perturbação da ordem pública, a recusa ao pagamento de impostos ou o desrespeito aos funcionários designados pelo presidente. O fato de esses atos de desobediência serem pacíficos não os torna legais. E muito menos adequados para a estabilidade democrática do país”, alertou.
MENSAGEM A DE LA ESPRIELLA
A carta também contém algumas linhas dirigidas a De la Espriella, a quem pedem que “seja um símbolo da unidade nacional” e governe “para todos”, lembrando-o de que “a paz de todos decorre do comportamento pacífico de cada um” e que a classe política, independentemente de suas diferenças, “tem o dever moral de dar o exemplo”.
No entanto, embora considerem que essa particularidade de possuir dupla nacionalidade — americana e colombiana — não seja incompatível com o exercício da presidência, ela pode acarretar “um complexo conflito de interesses”.
“Apesar dos muitos valores e políticas em comum, tanto a Colômbia quanto os Estados Unidos devem zelar pelos seus (...) seria bem-vindo que de la Espriella renunciasse à nacionalidade norte-americana: 'Colômbia em primeiro lugar'”, destaca o texto, em alusão ao “America First” que Donald Trump vem defendendo.
Justamente, o fato de De la Espriella não ter renunciado ao seu passaporte norte-americano, nem ter dado explicações sobre sua relação com as agências do governo daquele país, foram alguns dos argumentos apresentados por Cepeda ao defender a necessidade dessa “desobediência civil política”.
Por fim, os autores desta carta, que também conta com a assinatura do ex-candidato à vice-presidência nestas eleições, Juan Daniel Oviedo, e de intelectuais como Moises Wasserman, Eduardo Pizarro ou Pedro Medellín, apelam para que as partes cheguem a acordos mínimos para salvaguardar a democracia.
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