Publicado 30/06/2026 12:47

Cepeda praticará “desobediência civil pacífica” se De la Espriella não renunciar à sua cidadania dos EUA

Cepeda denuncia os supostos rendimentos irregulares que obteve como advogado de Alex Saab e as ligações com grupos paramilitares para questionar sua idoneidade

21 de junho de 2026, Bogotá, Distrito da Cidade de Bogotá, Colômbia: O candidato à presidência da Colômbia pelo partido político Pacto Histórico, Iván Cepeda Castro, vota durante o segundo turno das eleições em 21 de junho de 2026.
Europa Press/Contacto/Andres Lozano

MADRID, 30 jun. (EUROPA PRESS) -

O ex-candidato colombiano Iván Cepeda advertiu nesta terça-feira que praticará a “desobediência civil pacífica” contra o próximo governo de Abelardo de la Espriella se o presidente eleito não renunciar à sua cidadania norte-americana e esclarecer sua suposta relação com agências daquele país, bem como suas tentativas de perseguir e extraditar o presidente cessante, Gustavo Petro.

Cepeda explicou que, para obter a nacionalidade norte-americana, De la Espriella assumiu “inevitavelmente compromissos e obrigações” incompatíveis com o exercício de seu cargo como presidente da Colômbia.

“O juramento de cidadania dos Estados Unidos estabelece a obrigação de lealdade exclusiva à ordem constitucional daquele país quando houver conflito com outras”, destacou ele em uma declaração publicada em suas redes sociais.

“Sua posse estará viciada, sem sombra de dúvida”, avaliou Cepeda, que exigiu que De la Espriella esclareça se, em algum momento, colaborou com agências americanas como o FBI ou a DEA, com base em seu papel como advogado de Alex Saab, o suposto testa-de-ferro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e suas conhecidas relações com chefes paramilitares colombianos.

“Para ser chefe de Estado colombiano, garante de nossa soberania e, é claro, guardião da Constituição Política. Não se pode ser agente da DEA”, enfatizou Cepeda, que também questionou os rendimentos que ele teria recebido como advogado de Saab, depois que um grupo de congressistas democratas alertou o governo dos Estados Unidos sobre uma série de irregularidades.

“Eles apontaram que há evidências de que transações bancárias e imobiliárias financiadas parcialmente por Alex Saab poderiam beneficiar Abelardo de la Espriella e que é possível que os bens que o advogado possui nos Estados Unidos tenham sido adquiridos ilegalmente”, menciona Cepeda com base nessa denúncia.

CONVOCA SEU ELEITORADO A PRATICAR A “DESOBEDIÊNCIA CIVIL PACÍFICA”

Para Cepeda, todos esses fatos, somados ao apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a De la Espriella durante o processo eleitoral, “mostram a clara predisposição” do novo presidente colombiano de “entregar” a segurança nacional e a soberania jurídica do país.

Cepeda cita como exemplos a inclusão da Colômbia sob a égide norte-americana do Escudo das Américas, a detenção de opositores colombianos nos Estados Unidos e a entrega a Washington de “listas com dezenas de compatriotas para que sejam investigados” naquele país, “desrespeitando abertamente o Estado de Direito e os tribunais colombianos”.

“Deve ficar totalmente claro e definido, em primeiro lugar, que Espriella renuncie à nacionalidade dos Estados Unidos e esclareça se é ou não colaborador ou membro de agências de segurança norte-americanas. Em segundo lugar, ele deve respeitar plenamente nossa segurança nacional e nossa soberania judicial”, enfatizou em suas reivindicações.

Entre essas reivindicações está também o fim de “toda perseguição” contra Gustavo Petro, bem como das ameaças de extradição para os Estados Unidos com base em supostas investigações da Promotoria de Nova York contra ele por crimes de tráfico de drogas, que vazaram para a imprensa, mas que a Justiça daquele país ainda não confirmou.

“A perseguição contra os opositores políticos deve cessar, e deve-se deixar de incentivar a judicialização por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, exigiu Cepeda, que insta seus eleitores a se unirem à “desobediência civil pacífica” que ele próprio praticará caso essas exigências não sejam atendidas.

“Convido e exorto os milhões de eleitores que depositaram sua confiança em mim a fazerem o mesmo e, caso o que aqui declaro não seja cumprido, a descumprirem pacificamente qualquer ordem, disposição ou mandato de alguém que não atue como guardião e garante da nossa Constituição”, incentivou.

“Quando a lei, as instituições ou a autoridade entram em conflito com a consciência moral, o cidadão não só tem o direito, mas também o dever de resistir pacificamente, recusando-se a colaborar com a injustiça, o opróbio ou a opressão. É isso que faremos, que não haja dúvidas (...) Que ouça isso claramente e leve muito, muito a sério”, advertiu Cepeda.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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