Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
Ele acredita que isso dará “visibilidade” às pessoas mais vulneráveis de Madri, com salários cada vez “mais precários” e moradia “inacessível”
MADRI, 12 maio (EUROPA PRESS) -
O centro para pessoas em situação de rua CEDIA, no bairro de Lucero, localizado no distrito madrilenho de Carabanchel, está contando os dias para receber o Papa Leão XIV no próximo dia 6 de junho, uma visita que seus funcionários e usuários aguardam com “entusiasmo”.
“Nós somos as mãos que o acompanham. A ferramenta é o amor e o carinho pelas pessoas. O fato de ele ter decidido passar por aqui é impressionante e uma mensagem clara para toda a Igreja e para Madri”, afirmou o responsável pelo centro, Juan José Gómez-Escalonilla, perante a imprensa.
As paredes deste centro de dia e de noite exibem frases como “Você não está sozinho, estamos ao seu lado” ou “O amor é o caminho da esperança”. Em 2025, passaram por lá 2.534 pessoas e foram atendidas 880. 80% dos que chegam não encontraram emprego, enquanto há outros perfis que o têm, mas ficaram na rua.
Tudo começou há algumas semanas, com uma visita da Delegação do Vaticano para verificar as atividades realizadas. Mesmo antes de a programação da viagem se tornar oficial, os usuários e os funcionários já sabiam da chegada do Pontífice. Não planejam realizar nenhum preparativo além de ensaiar o que os usuários querem transmitir a ele. Querem que se veja a realidade de muitas pessoas na cidade de Madri.
“A primeira coisa que fazemos é garantir que tenham acesso aos serviços mais básicos, como alimentação, banho e roupas. A partir daí, são mobilizadas as ferramentas psicossociais, com os funcionários e os psicólogos. Não somos um centro de entretenimento, mas de capacitação. Queremos ajudá-los a melhorar sua situação”, destacou o responsável pelo CEDIA.
PRECARIDADE E MORADIA INACESSÍVEL
Este centro é concebido como “uma porta aberta para sair e voltar”. Às vezes, as pessoas que saem não alcançam seus objetivos, por isso a filosofia é que aquele momento não era o ideal para elas. Para sair de uma situação de vulnerabilidade, os usuários “precisam se apoiar na profissionalidade, no carinho e no apoio”.
“O que eles mais valorizam é que cuidamos deles. Eles vêm de contextos muito vulneráveis, onde ninguém os olha nos olhos. Temos estereótipos de que são alcoólatras, e há quem seja, mas são pessoas normais como você e eu. Qualquer um de nós pode acabar em uma situação de rua”, lembrou Gómez.
Nesse sentido, ele destacou que as condições de moradia na capital “são precárias” e que a habitação é “inacessível”. Conforme relatou o responsável pelo centro, há alguns anos eles ajudavam as pessoas a alugar um apartamento. Agora, fazem isso para um quarto, que pode chegar a 600 euros por mês.
Javier, um assistente social que trabalha na CEDIA, reconhece que a situação nos centros de acolhimento em Madri “está sobrecarregada”. Os usuários que chegam o fazem por iniciativa própria e passam por uma entrevista pessoal. “São necessários mais recursos e mais políticas sociais para que não haja pessoas em situação de rua”, destacou.
“UM RAIOS DE ESPERANÇA”
Uma das maiores frustrações do CEDIA é não poder atender às 2.500 pessoas que procuram o centro por ano. De cada dez pessoas que chegam, apenas três são aceitas. Essa situação se deve ao fato de que, às vezes, “não há vagas” para todas elas, que são “pessoas comuns” e merecem “uma vida digna”.
Carlos, um imigrante de 35 anos, completará nesta quinta-feira um mês no centro. Ele chegou graças a um amigo quando se viu em uma situação “bastante difícil”. Ele considera que é um lugar “maravilhoso” que recomenda a todos que precisarem quando estiverem passando por “um momento difícil”.
“Viver na rua não é agradável, mas também há pessoas dispostas a ajudar e acompanhar você nesse processo. Sempre há um pequeno raio de esperança para que as pessoas vejam que é possível sair dessa situação. Tenho 35 anos. Isso pode acontecer com qualquer um de nós”, enfatizou.
DE DISTRIBUIÇÃO DE CAFÉ A UM CENTRO DE DIA E NOITE
Há quase 50 anos, este projeto começou com uma van que levava café a pessoas em situação de vulnerabilidade. O objetivo era proporcionar um momento de paz e tranquilidade. Foi em 2008 que chegou a Lucero e se transformou em um centro de dia e de noite.
Atualmente, conta com 92 vagas: 47 destinadas a homens para pernoitar, 20 para mulheres e 25 no centro de dia, que são independentes. A permanência costuma ser de um mês, mas cada usuário é “diferente e único”.
“O CEDIA começou com uma van e foi se adaptando à realidade das pessoas em situação de rua. Dos usuários, 75% são homens e 25% são mulheres”, destacou o responsável pelo centro, que cada vez mais está voltando seu foco para elas e para os jovens. Os usuários são de origem espanhola, latino-americana, magrebina e subsaariana.
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