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MADRID, 17 jun. (EUROPA PRESS) -
O secretário executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, anunciou nesta terça-feira que sua organização enviou ao Governo central andino, liderado por Rodrigo Paz, uma agenda de oito pontos que pediu que fosse atendida “imediatamente”, com o objetivo de pacificar um país que já acumula mais de um mês de bloqueios e protestos.
“Foi decidido, após consulta a todos os atores, enviar ao governo central uma notificação e uma proposta para a pacificação e a recuperação do país, que deve ser atendida de forma imediata”, afirmou Argollo em uma coletiva de imprensa, na qual ressaltou que “o protesto, a luta e a mobilização em todo o país” continuarão até que se receba uma resposta por parte do governo.
Caso contrário, advertiu o líder sindical, a central irá “mobilizar em massa” e “revolucionar” o país para que “se cumpra o que foi exigido hoje e está em jogo na luta”, ou seja, insistiu ele, “a renúncia do presidente (da Bolívia, Rodrigo Paz)”.
Solicitando, por sua vez, a participação do procurador-geral do Estado, Rober Mariaca, para evitar uma perseguição penal ou a criminalização dos protestos, a COB exigiu com urgência o “fim da perseguição” e a “liberação” das pessoas detidas durante os protestos, bem como o cumprimento dos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral.
Também solicitaram que não seja promovida nenhuma “privatização, capitalização, concessão dissimulada nem entrega direta ou indireta de empresas públicas estratégicas” a entidades privadas nacionais ou estrangeiras, de acordo com o terceiro ponto da lista divulgada pelo site Unitel, que acrescenta que a central defende a proibição da “ingerência de transnacionais na gestão dos recursos estratégicos do Estado”.
Nessa linha, defenderam que a Bolívia não aceite “nenhum crédito do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, além de exigirem a estabilização dos preços dos combustíveis, um fundo de aposentadoria de 100%, a atenção às demandas setoriais e a proteção ambiental das áreas protegidas, de modo que parques ou reservas naturais não sejam utilizados para a exploração mineradora, petrolífera ou de qualquer outro tipo destrutivo.
“A paz social na Bolívia não será alcançada por meio da imposição, da estigmatização ou da perseguição jurídica. Ela será construída exclusivamente por meio da atenção às nossas reivindicações, com os atores legítimos à mesa e com a vontade política de cumprir os compromissos assinados perante o povo”, reza o texto, sempre divulgado pela Unitel.
PAZ CONVIDA A COB PARA UMA MESA DE DIÁLOGO
Por sua vez, o Executivo central convidou a COB para se reunir nesta quarta-feira em uma mesa de diálogo com o objetivo de avançar na pacificação do país, após mais de 45 dias de protestos e bloqueios.
“Esperamos por vocês às 9h (hora local) na Casa Grande do Povo para dar início a esta mesa de diálogo, concertação e construção de soluções, com base na realidade que vivemos”, anunciou o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, citado pela agência abi.
Com relação à lista de oito pontos enviada pela Central Operária Boliviana, Gálvez informou que será nessa mesa de diálogo que se poderá “debater e construir mutuamente as respostas que o povo boliviano espera”.
“Tudo pode ser discutido, mas tudo deve estar em conformidade com a lei, a Constituição, a lógica e o bom senso. Confiamos que, de modo geral, possamos chegar a um acordo sobre as questões que são fundamentais e importantes para o povo boliviano”, ressaltou o porta-voz em entrevista coletiva.
Por fim, Gálvez reiterou a necessidade de “pacificar imediatamente” o país, bem como de criar as condições necessárias para atender, especialmente, à crise sanitária. “Não se trata do governo, nem de política, trata-se de bom senso e valores humanos para atender aos doentes e àqueles que estão passando por dificuldades”, destacou.
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