Publicado 02/09/2026 08:40

Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Parlamento Europeu em apoio a Ceuta: “Ceuta não está à venda, Ceuta se defende”

O PP e o Vox realizam manifestação em frente à sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, por ocasião do Dia de Ceuta
IVÁN ZAMBRANO / EUROPA PRESS

Criticam Sánchez por “não ter protegido” a fronteira, apesar de ter tido “conhecimento” da “invasão” à cidade

BRUXELAS, 2 set. (EUROPA PRESS) -

Centenas de pessoas se reuniram nesta quarta-feira em frente à sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, em apoio a Ceuta, coincidindo com o dia da cidade autônoma, em uma manifestação promovida pelo PP e pelo Vox para expressar sua solidariedade ao povo de Ceuta, mais de um mês após a entrada de pelo menos 72 mil migrantes vindos do Marrocos.

A manifestação, realizada nas escadarias da entrada do Parlamento Europeu na Praça do Luxemburgo, reuniu representantes, assessores parlamentares e funcionários de ambas as formações, além de alguns grupos de cidadãos de Ceuta residentes em Bruxelas que se reuniram para reivindicar que “Ceuta é Espanha” e que a situação enfrentada pela cidade não dividirá sua população.

“Ceuta não se vende, Ceuta se defende” e “Viva a Espanha e Viva Ceuta” foram alguns dos gritos entoados pelos participantes durante a manifestação, na qual foram exibidas bandeiras da Espanha, de Ceuta e da União Europeia, além de faixas com mensagens como “Ceuta se defende”, “não à invasão” ou “Marlaska, traidor”.

Embora com diferenças nas medidas propostas, o PP e o Vox coincidiram em exigir um maior envolvimento da União Europeia, exigir o retorno dos migrantes que permanecem em situação irregular em Ceuta e criticar o governo de Pedro Sánchez, ao qual atribuem a responsabilidade por não ter agido para impedir a entrada em massa, apesar das informações que indicam que as forças de segurança haviam alertado previamente sobre o risco.

ABANDONARAM CEUTA À SUA SORTE

“Ceuta é a Espanha, é a Europa; Ceuta é a fronteira sul da Europa e Ceuta também precisa de uma resposta europeia”, defendeu a porta-voz do PP Europeu, Dolors Montserrat, em declarações à imprensa, nas quais exigiu o “retorno imediato” dos adultos em situação irregular e a devolução dos menores desacompanhados às suas famílias.

A representante do Partido Popular também defendeu que a União Europeia colocou, desde o início da crise, “todos os instrumentos” à disposição da Espanha para proteger as fronteiras e proceder ao retorno dos migrantes em situação irregular, e garantiu que “a Europa esteve, está com Ceuta e continuará estando com Ceuta”.

Nesse sentido, ela acusou o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de saber de antemão, por meio de informações da Polícia Nacional e do CNI, que poderia ocorrer uma entrada maciça de migrantes em 30 de julho e de não ter agido para impedi-la. “Abandonaram Ceuta à sua sorte e abandonaram a luta pela integridade territorial da Espanha”, denunciou.

Além disso, ela explicou que “a Comissão Europeia tem conhecimento” do relatório no qual se atribuiria às Forças e Órgãos de Segurança marroquinos a entrada em massa de migrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho passados.

Por isso, a política catalã exigiu a renúncia do presidente do Governo e de todo o seu Executivo, bem como a convocação de eleições gerais. “Queremos que os cidadãos espanhóis votem e expressem nossa opinião nas urnas”, destacou.

A SITUAÇÃO MAIS DIFÍCIL DA ESPANHA DESDE 2017

O chefe da delegação do Vox no Parlamento Europeu, Jorge Buxadé, por sua vez, duronou o tom contra o Marrocos ao qualificar a entrada em massa de migrantes em Ceuta como um “ato de guerra híbrida” promovido e “orquestrado” por Rabat para “atacar a integridade territorial da Espanha”.

“A Espanha se encontra hoje, neste momento, na situação mais perigosa, mais difícil e mais grave desde a tentativa de golpe de Estado na Catalunha, em outubro de 2017”, afirmou Buxadé, referindo-se às “notícias e relatórios” divulgados esta noite que “confirmam” uma “invasão no sentido estrito” do território espanhol.

Essa situação, conforme ele detalhou, foi comunicada por carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; à Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas; e ao comissário de Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, para exigir uma condenação formal do que o Vox considera uma “agressão” de Marrocos contra a soberania espanhola.

Na carta, ele exigiu que suspendessem “imediatamente” o Acordo Euromediterrâneo entre a UE e Marrocos e os demais acordos internacionais entre ambas as partes, bem como que “suspensassem qualquer pagamento europeu” pendente a Rabat. Solicitam também a suspensão da emissão de vistos para cidadãos marroquinos e recomendam aos Estados-membros “que não concedam novas autorizações de residência ou de trabalho” a cidadãos desse país.

Por fim, Buxadé exigiu que a Comissão Europeia proponha ao Conselho da UE a imposição de sanções a Marrocos, argumentando que, se o bloco comunitário adotou medidas desse tipo contra a Rússia por seu ataque à Ucrânia, deve também responder ao que o Vox considera um ataque contra um Estado-membro.

Diante disso, ele instou o PP a “reconsiderar sua” decisão de “não apoiar” a pretensão do partido de Abascal de “julgar por traição o senhor Sánchez e seu governo”, mediante autorização prévia do Congresso dos Deputados, diante do “ato evidente de traição à Espanha que deve ser julgado perante” o Supremo Tribunal.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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