CEUTA 6 set. (EUROPA PRESS) -
Cerca de 500 pessoas se manifestaram neste domingo em Ceuta contra a gestão do governo diante da crise migratória que a cidade autônoma vem enfrentando desde 30 de julho e para exigir “medidas concretas, soluções e deportação”, bem como para exigir que sejam garantidos a segurança e os direitos dos menores de Ceuta diante do início do ano letivo.
Mais especificamente, os manifestantes, empunhando bandeiras da Espanha e de Ceuta e sob os slogans “exigimos soluções e expulsão” e “pelas crianças de Ceuta”, pediram a renúncia do delegado do Governo, Miguel Ángel Pérez Triano, bem como que seja garantida a segurança nas escolas para que as crianças possam retornar aos estabelecimentos de ensino ainda esta semana. Os manifestantes entoaram slogans como “invasores, expulsão” ou “Delegado, renuncie”, além de outros como “nossas crianças querem liberdade”.
O protesto teve início por volta das 12h em frente à sede da Delegação do Governo na cidade autônoma, na Praça dos Reis, com o hino da Espanha e cantos como “Ceuta não se vende”. Além disso, foram lidos dois manifestos pelos organizadores: o Fórum Cidadão de Apoio a Ceuta e Melilla e várias associações e confederações de pais e mães de alunos.
EXIGEM “QUE O EXCEPCIONAL NÃO SE TORNE HABITUAL”
No primeiro dos manifestos, Noelia Alcázar, mãe de Ceuta com dois filhos, exigiu que “o excepcional não se torne o habitual”, em referência a medidas extraordinárias, como a presença das Forças Armadas nas escolas ou rotas escolares escoltadas pelas Forças de Segurança do Estado.
O texto ressalta que as crianças “não provocaram essa crise, não decidiram como ela deve ser gerenciada e não têm responsabilidade alguma, mas estão sofrendo suas consequências” e afirma que as crianças de Ceuta “merecem crescer em paz, com segurança, em ambientes saudáveis e com as mesmas oportunidades que o restante dos cidadãos. Sua proteção, seus direitos e seu bem-estar devem ser uma prioridade para todas as administrações”.
Por sua vez, Rocío Hernández, responsável pela leitura do segundo manifesto, exigiu uma maior presença, tanto física quanto institucional, da União Europeia em Ceuta, conforme expressou enquanto se ouviam gritos como “Europa, ouça, Ceuta é a sua luta”. Nesse sentido, o texto também solicita “responsabilidade, coordenação, eficácia e urgência” às instituições europeias, ao Governo central e a Ceuta para que a normalidade seja restabelecida “o mais rápido possível”.
Após o término das leituras, foi realizado um minuto de silêncio em memória das vítimas fatais da invasão em massa, de costas para a sede da Delegação do Governo.
Posteriormente, os manifestantes partiram em direção à fronteira de Ceuta com o Marrocos, em El Tarajal, em uma marcha sem incidentes, ao grito de “invasores, expulsão”. Ao chegarem a El Tarajal, os manifestantes realizaram um protesto pacífico sentado e procederam novamente à leitura do manifesto.
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