Alejandro Martínez Vélez - Europa Press - Arquivo
MADRID, 8 mar. (EUROPA PRESS) -
A representante da Coalizão das Ilhas Canárias (CC) no Congresso, Cristina Valido, censurou o governo por estar "com muita pressa" para atender às reivindicações de Junts e, em vez disso, abordar a situação nas Ilhas Canárias com menores migrantes "todos são problemas".
Como ela disse neste sábado em uma entrevista no programa 'Parlamento' da 'RNE', captada pela Europa Press, seu partido está "preocupado" com o fato de o governo estar com "muita pressa" para resolver as questões que Junts está pedindo, mas, no entanto, para responder a "uma tragédia" e aos "direitos dos menores", como seu partido está pedindo com a reforma da Lei de Estrangeiros, "tudo é problema" e "muitas condições".
"Em questões como a anistia ou a transferência da gestão migratória, não há relatórios da profissão de advogado, nem há o problema de não ter as maiorias necessárias", enfatizou Valido, referindo-se aos argumentos usados pelo Executivo para essa reforma legislativa.
Por essa razão, o deputado canário acredita que o que o governo deve fazer é "atender ao drama humanitário" que as Ilhas Canárias estão vivendo com "a mesma velocidade" com que responde às demandas de seus outros parceiros. Valido se recusou a colocar o foco no PP para a tramitação da reforma da Lei de Imigração e considera que o governo de Pedro Sánchez deveria apostar em uma negociação "muito mais importante" com Junts para levar adiante essa regra, como o presidente regional Fernando Clavijo vem tentando fazer.
NÃO ADIANTA SEU VOTO E DISCORDA DO OBJETIVO DA JUNTS
Com relação ao pacto entre os socialistas e o partido de Carles Puigdemont para a delegação de poderes de imigração à Catalunha, Valido não quis adiantar o voto de seu partido sobre essa lei porque eles querem proceder com "cautela" e debater essa questão internamente.
Como ele explicou, eles respeitam "absolutamente" o fato de que todas as competências que tornam o serviço aos cidadãos mais eficaz e eficiente são reivindicadas, mas ele tem dúvidas sobre o papel da Generalitat - atualmente sob o governo do PSOE - na negociação e o motivo real da transferência de competências.
"É um pouco surreal que o Estado chegue a um acordo com um partido que está na oposição", disse ele, e acredita que a verdadeira motivação de Junts para esse pacto não é "melhorar a gestão dos direitos das pessoas, mas apresentar a imigração como uma dificuldade", e, em sua opinião, deveria ser exatamente o contrário. "Temos que trabalhar em prol da coexistência pacífica e da integração", disse ele.
SÁNCHEZ VAI ESGOTAR A LEGISLATURA
Nesse contexto, a porta-voz do CC foi questionada sobre a continuidade da legislatura, em sua opinião, o governo está "determinado a terminar a legislatura" e para isso está "disposto a chegar a qualquer acordo necessário" e exemplificou isso lembrando que "já existem vários acordos sobre a mesa que pareciam impossíveis", em referência à Lei de Anistia, à cota catalã ou agora à transferência de imigração.
"Isso me faz pensar que é bastante provável que, mesmo sem orçamentos no restante da legislatura, haja uma vontade de esgotá-lo", disse, para depois lamentar que o Executivo tenha desistido, por enquanto, de debater os Orçamentos Gerais e acreditar que, dessa forma, os grupos foram "roubados" do direito de negociar as questões de que cada território precisa.
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