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Doha se recusa, no entanto, a aceitar uma taxa de passagem permanente devido ao prejuízo que isso representa para o “consumidor” final
MADRID, 30 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro da Defesa do Catar, Saud bin Abdulrraman al Thani, mostrou-se neste sábado receptivo à possibilidade de que a taxa marítima que o Irã estabeleceu no estreito de Ormuz, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, tenha caráter provisório, desde que a arrecadação seja destinada à remoção de minas nessa passagem estratégica, atualmente repleta de explosivos.
O Catar é um dos países atingidos pelos contra-ataques regionais do Irã às bases militares no Golfo Pérsico, mas, desde o início do conflito, tem defendido a necessidade imperiosa de chegar a algum tipo de acordo com o Irã diante do enorme impacto econômico que representa o fechamento da passagem; uma postura que provocou atritos com os Estados Unidos, pois o governo Trump exige a reabertura incondicional do estreito.
Al Thani, no entanto, explicou durante sua intervenção no fórum internacional de defesa Shangri-La, em Cingapura, que “os iranianos, às vezes, dizem que usarão o dinheiro para remover as minas do estreito ou que a cobrança terá caráter temporário, e vemos que isso é negociável”, antes de insistir, no entanto, que seu país se declara radicalmente contrário a uma tarifa permanente.
“O Catar e seus parceiros do Golfo deixaram bem claro que a imposição de um pedágio sempre afetará o consumidor, por isso somos contra essa posição”, acrescentou ele, antes de, por fim, apelar à necessidade de “esclarecer a estratégia e adotar uma abordagem em relação ao Irã sem esconder nada”.
Os comentários do ministro da Defesa revelam mais uma vez as divergências entre os Estados Unidos e os países da região sobre a situação no Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, as autoridades iranianas começaram a negociar, em determinado momento, com Omã — país com o qual compartilha o estreito — algum tipo de acordo. A resposta de Trump não se fez esperar: qualquer tipo de negociação com o Irã transformaria Omã em inimigo de Washington.
O embaixador de Omã nos Estados Unidos acabou assegurando ao secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que não há planos de colaborar com Teerã nesse sentido.
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