JULIEN DELFOSSE / DPPI Media / AFP7 / Europa Press
MADRID, 30 jun. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Catar confirmaram nesta terça-feira que uma delegação dos Estados Unidos se deslocou à capital, Doha, para tratar das negociações de paz com o Irã, embora tenham descartado a possibilidade de reuniões com representantes do Irã.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar informou que o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já se encontram em Doha, acrescentando que se reunirão com os mediadores para discutir o andamento das negociações.
No entanto, o porta-voz ressaltou que não estão previstos encontros diretos com a delegação do Irã, conforme noticiado pela emissora de televisão catariana Al Jazeera, depois que Trump anunciou na segunda-feira que tal reunião ocorreria, em meio a negativas por parte de Teerã.
Por outro lado, ele destacou que os 6 bilhões de dólares (cerca de 5,265 bilhões de euros) em ativos iranianos congelados ainda não foram transferidos para Teerã e argumentou que a questão está ligada ao andamento das negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
O referido porta-voz explicou ainda que a linha de comunicação aberta para a redução das tensões foi utilizada para conter a troca de ataques registrada no final da semana passada e garantiu que o Catar está coordenando-se com Omã para a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz.
As declarações de Doha ocorrem depois que o próprio Trump insistiu, nas últimas horas, que ainda hoje “haverá uma reunião” com o Irã no Catar, embora tenha matizado que “talvez seja importante, talvez não”, depois que Teerã indicou que uma delegação oficial viajaria para Doha e descartou contatos diretos com Washington.
Pouco antes, o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irã, Kazem Qaribabadi, havia indicado que “não há reuniões dos grupos técnicos de trabalho programadas para esta semana”, depois que o Paquistão, que atua como mediador, tivesse confirmado na semana passada um encontro previsto para esta segunda ou terça-feira.
Os últimos dias foram marcados pelas tensões em torno da passagem pelo Estreito de Ormuz — decorrentes das interpretações conflitantes do memorando de entendimento assinado por ambos os países — e pelas trocas de ataques entre Teerã e Washington nos últimos dias, após um ataque na quinta-feira contra um navio com bandeira de Cingapura que transitava por essa rota estratégica.
Esse incidente foi descrito por Washington como uma violação do acordado, após o que o país passou a lançar bombardeios contra o Irã. Por sua vez, Teerã denunciou uma violação do cessar-fogo e respondeu com ataques contra interesses norte-americanos no Oriente Médio, embora a situação tenha voltado a um estado de frágil estabilidade.
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