Europa Press/Contacto/Davide Bonaldo
MADRID 10 abr. (EUROPA PRESS) -
A Casa Branca enviou recentemente um memorando interno aos seus funcionários para alertá-los de que lhes é estritamente proibido participar de aplicativos de apostas ou mercados financeiros com o objetivo de enriquecer às custas do desenrolar da guerra no Irã, aproveitando-se das informações privilegiadas de que dispõem.
O documento interno, proveniente do Escritório de Gestão Orçamentária e datado de 24 de março, aborda diretamente uma polêmica que acompanha há meses o governo Trump, até agora restrita às redes sociais e que tem como protagonista a plataforma Polymarket, que conta entre seus investidores com Donald Trump Jr. e sua empresa 1789 Capital, e cujos participantes chegaram a proferir ameaças de morte a jornalistas (como o responsável pela seção de Defesa do 'Times of Israel', Emanuel Fabian) por publicarem informações contrárias às suas apostas.
Além das apostas privadas, a agência Bloomberg lembra o enorme impacto econômico que representa a mais mínima declaração pública de Trump a esse respeito e destaca cenários estranhos como o ocorrido em 23 de março, quando Trump anunciou uma pausa de cinco dias em sua ameaça de atacar usinas elétricas iranianas. Somente nos dois minutos após as 06h49 da madrugada, circularam contratos de futuros equivalentes a seis milhões de barris de Brent e West Texas Intermediate. A publicação de Trump no Truth Social apareceu por volta das 07h05 daquele dia.
Em resposta à publicação do memorando no “Wall Street Journal” e pela agência Bloomberg, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, insistiu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “deixou bem claro” que nem congressistas nem funcionários da Casa Branca podem usar informações privilegiadas para seu benefício financeiro.
Uma série de apostas oportunas sobre o Irã, realizadas na Polymarket por contas anônimas recém-criadas, gerou centenas de milhares de dólares em lucros até o momento, o que levou os analistas a examinar minuciosamente as operações em busca de indícios de atividade privilegiada. Alguns pagamentos de apostas relacionadas à guerra no Irã estão agora congelados devido a uma disputa, e os operadores não podem receber os pagamentos enquanto os usuários debatem o que constitui um cessar-fogo.
“Todos os funcionários federais estão sujeitos às normas éticas do governo, que proíbem o uso de informações não públicas para obter benefícios econômicos. No entanto, qualquer insinuação de que funcionários do governo participam de tais atividades sem provas é infundada e constitui uma informação irresponsável”, acrescentou Ingle.
CONFLITOS DE INTERESSES
No início deste mês, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos teve que desmentir publicamente uma notícia publicada pelo “Financial Times” que apontava contra o titular da pasta, Pete Hegseth, cujo corretor da consultoria financeira Morgan Stanley entrou em contato com a BlackRock em fevereiro, antes da invasão do Irã, para realizar um “investimento multimilionário” em um fundo de ativos de defesa.
“Nem o secretário Hegseth nem qualquer um de seus representantes entraram em contato com a BlackRock para discutir qualquer investimento desse tipo”, declarou o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, em referência à notícia do “Financial Times”, que ele denunciou como “mais uma difamação infundada e desonesta, destinada a enganar o público”.
Um grupo de senadores democratas liderado por Elizabeth Warren, Richard Blumenthal e Tammy Duckworth solicitou a Hegseth que prestasse depoimento para explicar o ocorrido e para “compreender onde podem existir deficiências nas práticas e políticas atuais do departamento para prevenir conflitos de interesse”.
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