Publicado 20/01/2026 14:07

Carney alerta que o mundo "está passando por uma ruptura" e acusa as potências de usar a economia "como arma".

Imagem de arquivo do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Europa Press/Contacto/Sean Kilpatrick

Aposta em uma “maior autonomia estratégica” em áreas como alimentação, energia e finanças, entre outras MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, alertou nesta terça-feira que o mundo “está passando por uma ruptura e não por uma transição” em nível econômico e político, acusando as “grandes potências” de “usar a integração econômica como arma” e “as tarifas para obter vantagem”. “Deixem-me ser direto. Durante as últimas duas décadas, uma série de crises financeiras, sanitárias, energéticas e geopolíticas revelaram os riscos do aquecimento global extremo. A isso se soma o fato de que as grandes potências começaram a usar a integração econômica como arma”, afirmou durante sua intervenção no Fórum Econômico Mundial, que se realiza até sexta-feira na cidade suíça de Davos. Nesse sentido, Carney lamentou que a infraestrutura financeira também seja usada “como medida de coação” e as cadeias de abastecimento “como vulnerabilidades que podem ser exploradas”. “Não se pode viver com a mentira do benefício mútuo quando esta se torna uma fonte de subordinação”, salientou. Assim o expressou em declarações que pareciam aludir à política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com as quais afirmou que as instituições multilaterais a nível mundial “estão em perigo”.

“Como resultado, muitos países estão chegando às mesmas conclusões: que devem desenvolver uma maior autonomia estratégica em áreas como alimentação, energia ou finanças, mas também no que diz respeito a minerais críticos e cadeia de abastecimento”, esclareceu o primeiro-ministro canadense. “Esse impulso é compreensível. Um país que não consegue se alimentar ou se defender sozinho tem poucas opções", acrescentou. "Quando as regras não mais protegem você, você deve se proteger. Mas sejamos claros sobre aonde isso nos leva. (...) As potências hegemônicas não podem monetizar continuamente suas relações. Os aliados diversificarão seus recursos para se proteger da incerteza. Ampliarão suas opções para reconstruir sua soberania. Uma soberania que antes se baseava em regras, mas que cada vez mais se baseará na capacidade de resistir à pressão”, lamentou. Nesse sentido, ele enfatizou que o Canadá dobrará seus gastos com defesa até o final da década com o objetivo de “construir suas próprias indústrias domésticas”. “Também vamos diversificar. Chegamos a um acordo estratégico de parceria com a UE. Também assinamos doze acordos comerciais e de segurança com quatro países em apenas seis meses", declarou.

Além disso, o Canadá está negociando acordos de livre comércio com a Índia, Tailândia, Filipinas, Mercosul e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “Para resolver problemas globais, estamos buscando uma geometria variável, ou seja, diferentes coalizões para diferentes temas, com base em valores e interesses comuns”, acrescentou.

UCRÂNIA E ÁRTICO “Quanto à Ucrânia, somos um membro fundamental da Coalizão da Vontade e um dos maiores contribuintes per capita para sua defesa e segurança. No Ártico, estamos ao lado da Dinamarca e da Groenlândia e demos nosso total apoio ao direito da Groenlândia de determinar seu futuro”, afirmou.

Sobre o apoio à OTAN e ao artigo 5º do tratado, o líder norte-americano destacou que o apoio é “inabalável” e disse estar trabalhando com os aliados para garantir a segurança da Aliança. Carney destacou, por sua vez, a importância do investimento realizado em radares transoceânicos, submarinos, aeronaves e presença terrestre. Forças no gelo. O Canadá se opõe firmemente às tarifas sobre a Groenlândia e exige conversas centradas em alcançar nossos objetivos comuns de segurança e prosperidade no Ártico", argumentou. "As potências intermediárias devem agir juntas porque, se não se sentarem à mesa, acabarão no menu. Mas também diria que as grandes potências podem se dar ao luxo, por enquanto, de agir por conta própria. Elas têm o tamanho do mercado, a capacidade militar e a influência para ditar as condições”, admitiu. Para o primeiro-ministro canadense, as potências intermediárias carecem dessas características, por isso “sempre que negociam bilateralmente com uma potência hegemônica, o fazem a partir de uma posição de fraqueza”. “Aceita-se o que é oferecido”, observou.

“O Canadá tem o que todo mundo quer. Somos uma grande potência energética, temos grandes reservas de minerais críticos, a população mais instruída do planeta. Nossos fundos de pensão são um dos maiores e contamos com os investidores mais sofisticados. Temos capital e talento, e também um governo com uma capacidade fiscal imensa”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado