Publicado 10/04/2026 08:22

Carmen Calvo: “Quem tiver cometido alguma ilegalidade ou ato criminoso deve responder” perante a justiça

A presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo, cumprimenta os membros do Conselho Jurídico da Região de Múrcia, na companhia de seu presidente, Antonio Gómez Fayrén
EUROPA PRESS

MURCIA 10 abr. (EUROPA PRESS) -

A presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo, defendeu nesta sexta-feira, em Múrcia, o Estado de Direito diante dos casos de suposta corrupção política e garantiu que “quem tenha cometido alguma ilegalidade ou atividade criminosa deve responder: todos de igual forma”.

Questionada sobre as recentes informações judiciais relativas a um suposto financiamento irregular no seio do PSOE, partido do qual é militante, Calvo evitou entrar na “controvérsia política” para preservar a neutralidade do seu cargo, embora tenha insistido que a responsabilidade penal não faz distinção entre siglas nem cargos.

“Não importa se você ocupa um cargo público ou não; mais ainda, se o ocupa, certos crimes são agravados”, indicou Calvo em resposta a perguntas da imprensa durante uma visita ao Conselho Jurídico da Região de Múrcia, na companhia de seu presidente, Antonio Gómez Fayrén.

Nesse sentido, apelou à “tranquilidade” da sociedade espanhola, sublinhando que, nos 48 anos de democracia, foram registrados episódios de corrupção de “origens muito diferentes” que foram resolvidos pelos tribunais.

“Vimos como quem está envolvido nisso é condenado. A justiça responde e é isso que nos dá tranquilidade para continuar avançando em uma sociedade saudável”, afirmou a ex-vice-presidente do Governo.

PARECER SOBRE A REGULARIZAÇÃO DE IMIGRANTES

Por outro lado, Calvo confirmou que o Conselho de Estado emitiu nesta quinta-feira o parecer sobre o decreto real para a regularização de imigrantes do Executivo central.

A norma foi encaminhada nesta sexta-feira ao Governo com diversas “observações” de caráter técnico que, segundo ela indicou, visam “melhorar” a eficácia da lei sem suplantar a legitimidade do Executivo para levar adiante seus projetos.

“Os pareceres não têm caráter de controle político nem de crítica, visam sempre a melhoria”, explicou Calvo, que lembrou que o conteúdo do documento é de propriedade da “autoridade consultante”, e não do Conselho de Estado.

Nesse sentido, explicou que o papel do órgão é contribuir para que a decisão “seja tomada com o objetivo pretendido”, vinculando-a aos direitos e objetivos de natureza trabalhista das pessoas que se encontram no país.

CONTEXTO INTERNACIONAL

Calvo também se referiu às declarações da porta-voz do PP no Congresso, Ester Muñoz, sobre o soldado espanhol detido por Israel. Mais especificamente, a presidente do Conselho de Estado, embora tenha se recusado a comentar as declarações de uma deputada, defendeu a atuação diplomática da Espanha.

“A posição espanhola como Estado é muito correta; temos obrigações de direito internacional às quais nos conduz nossa Constituição”, afirmou, para insistir que a Espanha “lidera” dentro da UE a defesa dos Direitos Humanos e do Direito Internacional em uma situação que definiu como uma “encruzilhada histórica”.

VISITA AO CONSELHO JURÍDICO DA REGIÃO

Por outro lado, Calvo reivindicou o papel das instituições consultivas para oferecer estabilidade democrática aos cidadãos. Acompanhada por Gómez Fayrén, destacou que esses órgãos, embora atuem de forma “discreta e silenciosa”, são responsáveis por garantir que as normas estejam em conformidade com a Constituição e os estatutos de autonomia.

“Somos uma garantia tranquila de como funciona a Espanha”, afirmou Calvo, que ressaltou que a função técnica desses órgãos permite que, além da ideologia, o cidadão confie de que as leis sejam aplicadas de forma “correta”.

“Qualquer um de nós pode concordar ou não com o que for decidido politicamente por uma prefeitura, pelo Governo da Região ou pelo Governo Nacional; estamos no nosso pleno direito; mas devemos estar tranquilos no outro lado, no lado não político, no lado técnico”, assinalou.

Calvo aproveitou sua visita para valorizar os 500 anos de história do Conselho de Estado, criado por Carlos V, e destacou sua capacidade de permanência ao longo de diferentes dinastias e regimes políticos.

Por sua vez, Gómez Fayrén classificou a visita como “histórica”, por ser a primeira vez que a presidência do Conselho de Estado comparece oficialmente à sede do órgão murciano em suas três décadas de história, e destacou que, apesar de contar com uma equipe de menos de 20 pessoas, o Conselho emite cerca de 400 pareceres por ano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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