Publicado 17/10/2025 09:32

Carmen Calvo pede que o aborto seja incluído como um direito fundamental na Constituição, o que significa eleições e referendo

A Presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo Poyato, apresenta o Relatório 2024 do Conselho de Estado, em 16 de outubro de 2025, em Madri (Espanha). Este é o relatório anual que detalha a atividade consultiva, administrativa e jurídica realizada pelo
Alejandro Martínez Vélez - Europa Press

MADRID 17 out. (EUROPA PRESS) -

A presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo, considera que a melhor opção para proteger o aborto dos altos e baixos políticos é incluí-lo na Constituição, mas não como o governo propõe, e sim incluindo-o no bloco de direitos fundamentais, o que implicaria a dissolução das Cortes Gerais, a realização de novas eleições e um referendo posterior.

Calvo, que foi vice-presidente do governo de Pedro Sánchez entre 2018 e 2021, fez essas declarações em uma coletiva de imprensa quando questionado sobre a proteção constitucional do direito à interrupção voluntária da gravidez aprovada pelo Executivo.

O texto aprovado pelo Conselho de Ministros, que em breve será submetido ao Conselho de Estado, presidido por Calvo, para parecer, propõe a inclusão de uma nova seção ao artigo 43 da Carta Magna, que trata do direito à saúde.

Embora veja a opção proposta pelo Governo como "factível", Calvo considera que se trata de um direito "parte do tronco da liberdade" que se baseia no "artigo 10" e no "artigo 15" da Constituição. Este último está incluído na seção sobre direitos fundamentais, que são especialmente protegidos no texto constitucional.

PROCEDIMENTO DE REFORMA AGRAVADA

Para emendá-la, é necessário seguir o procedimento agravado, que requer a aprovação de dois terços do Congresso e do Senado - 233 deputados e 177 senadores -, a dissolução das Cortes Gerais e a convocação de eleições. Além disso, o novo texto teria de ser ratificado pelo novo Parlamento e depois submetido a um referendo obrigatório e vinculante.

Embora o Conselho de Estado não costume se pronunciar publicamente sobre suas decisões, Calvo se permitiu expressar sua opinião porque, segundo ela, já escreveu sobre esse assunto e, portanto, considera que seria "hipócrita" não fazê-lo. "Não estou revelando nada", disse.

A Presidente do Conselho não considera que a inclusão do aborto no artigo 43, como proposto pelo Governo, significaria uma falta de proteção, como advertiram alguns setores do feminismo, embora acredite que o lugar mais apropriado para sua proteção seja no bloco de direitos fundamentais da Constituição, que vai do artigo 15 ao 29.

"Na minha opinião, está lá", destacou, embora considere que haverá um debate no Conselho de Estado quando tratarem do assunto e espera chegar a um acordo unânime no conselho consultivo.

PROTEÇÃO CONTRA OS ALTOS E BAIXOS POLÍTICOS

Em sua opinião, essa é uma "discussão muito relevante para metade da população mundial" e não pode estar sujeita "aos altos e baixos políticos" das "mudanças de cor" dos governos. Portanto, ela argumenta que esse direito deve ser protegido "de uma forma que seja certa para a liberdade das mulheres".

"Como já escrevi e disse publicamente, essa é a posição em que acredito que a natureza jurídica dessa liberdade seria garantida", disse Calvo, ressaltando que "outras formas também são viáveis" e fazem parte do debate que está em pauta na sociedade.

O projeto de lei do governo ainda não chegou ao Conselho de Estado, de acordo com fontes do órgão consultivo, e quando o receber, terá dois meses para emitir um parecer, já que o Conselho de Ministros optou por um procedimento ordinário e não urgente. Caso contrário, ele teria apenas 15 dias para emitir seu parecer.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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