Publicado 23/04/2025 00:09

Caracas considera a proposta de Bukele de trocar 252 venezuelanos por "prisioneiros políticos" "ilegal e inadmissível".

Ele diz que seus cidadãos são vítimas de "tráfico" e "desaparecimentos forçados".

Archivo - NAÇÕES UNIDAS, 24 de setembro de 2023 -- O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, faz um discurso no Debate Geral da 78ª sessão da Assembleia Geral da ONU na sede da ONU em Nova York, em 23 de setembro de 2023.   Yvan Gil disse
Europa Press/Contacto/Li Rui - Arquivo

MADRID, 23 abr. (EUROPA PRESS) -

As autoridades venezuelanas qualificaram de "ilegal e moralmente inadmissível" a troca de seus 252 cidadãos deportados pelos Estados Unidos em El Salvador pelo mesmo número de "presos políticos" em Caracas, proposta pelo presidente do país centro-americano, Nayib Bukele, que na terça-feira criticou seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, porque sua rejeição ao plano "carece de coerência".

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela considerou a proposta de Bukele, contida em uma carta do portfólio diplomático salvadorenho, como "uma confissão expressa de graves violações do direito internacional dos direitos humanos, bem como a prática de atos que poderiam ser classificados como ações criminosas internacionais".

Em um comunicado divulgado no Telegram, o chefe da diplomacia venezuelana, Yván Gil, denunciou que a troca proposta por Bukele é "ilegal e moralmente inadmissível por (...) condicionar a libertação de pessoas inocentes", em referência aos migrantes deportados para o território salvadorenho, enquanto os detidos na Venezuela estão presos pelo "cometimento de atos terríveis e puníveis".

"Esse enfoque constitui uma aberração jurídica, sem precedentes no âmbito das relações bilaterais ou multilaterais, que viola princípios elementares de justiça, proporcionalidade e dignidade humana", declarou o ministro, ressaltando que "nenhum dos" cidadãos para os quais Bukele está solicitando a libertação tem nacionalidade salvadorenha, enquanto "a maioria" deles é venezuelana.

Além disso, o ministro denunciou que seus concidadãos detidos em uma prisão de segurança máxima em território salvadorenho são "vítimas do gravíssimo crime de tráfico de pessoas", reiterando que eles foram "arbitrariamente privados de sua liberdade, (...) sem ordem judicial ou julgamento prévio" e "submetidos a condições degradantes e desumanas, sem a possibilidade de contato com familiares ou representação legal".

Ele também denunciou que eles foram privados do "direito de defesa, acesso à assistência jurídica (...), comparecimento perante os tribunais competentes" e, portanto, os considera "vítimas de desaparecimento forçado".

Gil deplorou mais uma vez a "criminalização coletiva e a xenofobia institucional" das autoridades salvadorenhas, que acusaram os detentos de pertencer a organizações criminosas "sem provas", violando a presunção de inocência.

Por outro lado, o governo venezuelano solicitou às autoridades salvadorenhas que entreguem a lista de cidadãos venezuelanos que foram deportados dos Estados Unidos para o país e a prova de vida de cada um deles; que forneçam informações sobre seus crimes, o tribunal ao qual foram apresentados e que respondam se "seu direito à defesa, à saúde e à comunicação com suas famílias foi garantido".

"A resposta a essas perguntas é fundamental e obrigatória para iniciar o processo de restauração das liberdades dos reféns e o início de seu retorno à Venezuela", disse ele sobre uma petição elaborada pelo Ministério Público venezuelano.

Por fim, ele exigiu novamente "a libertação imediata e incondicional dos 252 (...) venezuelanos detidos" em El Salvador, a quem ele responsabilizou por "qualquer dano à sua integridade física e psicológica".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado