MADRID 6 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, classificou como “montagem” o tiroteio ocorrido na terça-feira, no qual um militar das Forças Armadas da Guiana ficou ferido enquanto patrulhava a fronteira com a Venezuela, e relacionou o incidente às audiências perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, sobre a disputa pelo Esequibo.
“Já é cansativo que o governo da Guiana recorra, repetidamente, a esse tipo de relato e encenação justamente quando ocorrem procedimentos ligados à controvérsia territorial sobre a Guayana Esequiba”, afirmou ele em uma mensagem nas redes sociais.
Nesse sentido, ele insistiu que a Guiana não poderá “desviar a atenção da verdade histórica, jurídica e política” de que “a única via válida para resolver essa controvérsia é o Acordo de Genebra de 1966, em vigor até hoje e mecanismo diplomático e pacífico” com o qual ambas as nações se comprometeram.
Suas palavras foram proferidas depois que a Força de Defesa da Guiana (GDF) confirmou na terça-feira que um de seus militares foi ferido por um tiro na perna direita durante uma operação de patrulhamento ao longo da fronteira, após o que foi evacuado para Georgetown para receber atendimento médico.
“Por volta das 11h30, uma patrulha fluvial da GDF que escoltava três embarcações civis que transportavam pessoal e carga de Makapa para Eteringbang foi alvejada nas proximidades de Black Water. A patrulha respondeu ao fogo e conseguiu afastar o comboio da zona”, indicou em um comunicado.
O território reivindicado por Caracas é administrado pela Guiana de acordo com uma sentença arbitral de 1899. Georgetown considera que a zona foi adquirida pelo Reino Unido por meio de um acordo com a Holanda em 1814 e que a Venezuela deve aceitar as fronteiras estabelecidas pela referida sentença.
Por sua vez, Caracas defende que o atual Acordo de Genebra reconhece as reivindicações venezuelanas de que a sentença foi um suposto acordo político entre os britânicos e o jurista russo Friedrich Martens, que fazia parte do tribunal e cujo voto foi decisivo para a decisão.
Para a Venezuela, que se independizou da Grande Colômbia em 1830, é o curso do rio Esequibo que delimita a fronteira. Durante o mandato do presidente Nicolás Maduro, as autoridades elegeram um governador para o território disputado após a realização de eleições legislativas em maio de 2025.
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