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MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) - O líder da oposição e ex-candidato presidencial venezuelano Henrique Capriles criticou as nomeações de Tarek William Saab e Larry Devoe como defensor do povo e procurador-geral, respectivamente, que classificou como “piada de mau gosto” e “zombaria às vítimas da perseguição” das autoridades da Venezuela.
“Quem faz a judicialização? O Ministério Público. Quem tem o monopólio da ação penal? O Ministério Público. Para nós, isso é o cúmulo da anistia. É uma zombaria que quem até hoje, até ontem (...) era responsável pela perseguição (...) agora passe para a Defensoria do Povo. Isso é uma zombaria às vítimas, aos venezuelanos, a nós que temos a expectativa de que os poderes neste país mudem, que haja poderes que sirvam aos interesses dos venezuelanos, não que sirvam ao poder”, afirmou em declarações à imprensa, em alusão a Saab, que nesta quarta-feira apresentou sua renúncia ao Ministério Público venezuelano.
O líder da União e Mudança reclamou que “essa questão dos poderes deve ser levada a sério, devemos parar de cuidar de cargos, de cuidar de postos”, reiterando que as nomeações desta quarta-feira “parecem uma piada de mau gosto, uma zombaria”. Capriles aproveitou também para lembrar que “após uma renúncia, de acordo com o procedimento constitucional, é formado um comitê de indicações” e confirmou que sua formação política participará dele, após ter votado contra as nomeações de Saab e Devoe.
“Seremos a favor de qualquer coisa que signifique algo bom para o país e para o povo”, assegurou, antes de questionar se há “consenso” para nomear o ex-procurador como defensor do povo. Nesse sentido, lamentou a decisão anunciada nesta quarta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, diante da renúncia de Saab, “algo que acredito que o país teria visto com bons olhos, que aquele que foi responsável por essa etapa tão sombria em termos de perseguição renunciasse”.
Em termos semelhantes, avaliou a renúncia de Alfredo Ruiz à frente da Defensoria do Povo, alegando que ele desempenhava “uma função praticamente inexistente no povo venezuelano, ou seja, está na Constituição, mas não faz absolutamente nada”.
Por outro lado, em alusão a Devoe, criticou que “todo mundo sabe que o procurador responsável é uma pessoa próxima ao partido do governo”, antes de defender que a Venezuela “precisa de um procurador independente, um defensor do povo independente, um controlador (interventor) que controle e um Poder Judiciário independente”. “Em algum momento, espero que se abra o debate, esperamos nós, sobre o funcionamento do Poder Judiciário, refiro-me ao Supremo Tribunal”, concluiu. Saab exercia a função de procurador desde 2017, substituindo Luisa Ortega Díaz e após ocupar o cargo de defensor do povo durante três anos. Ele tem sido uma das vozes mais críticas do chavismo em relação à operação dos Estados Unidos em 3 de janeiro em Caracas, que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
À frente do Ministério Público, ele abriu inúmeras investigações contra dezenas de opositores, como María Corina Machado e Edmundo González, em meio a fortes críticas da comunidade internacional sobre a suposta perseguição política aos rivais do chavismo.
Sua saída ocorre poucos dias depois que a Assembleia Nacional aprovou por unanimidade uma lei de anistia que abre a possibilidade de libertar da prisão aqueles que cometeram crimes desde 1999, além do fechamento e transformação do El Helicoide, um enorme edifício localizado em Caracas e usado como centro penitenciário.
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